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Mostrando postagens de agosto, 2026

A FESTA DOS PÁSSAROS

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Uma vez, pássaros de várias espécies resolveram fazer uma grande festa. Prepararam muitos convites e os distribuíram a todos os conhecidos. Entretanto, um dos entregadores deixou cair acidentalmente um convite na toca da raposa, que o pegou e leu. O pássaro voltou e confessou aos outros a falha cometida. Todos ficaram temerosos. - E agora? - indagaram - Se a raposa vier à festa, será o fim de todos nós, pois seremos devorados por ela. Decidiram então suspender a festa e avisar a todos sobre o cancelamento. Mas a garça teve uma ideia: - Esperem, não cancelem a festa; vou dar um jeito nessa situação. A garça sobrevoou a toca da raposa e gritou: - Raposa! Está chegando o dia da nossa festa! Venho aqui pra saber se você gostaria de se sentar ao lado dos cães de caça ou dos cães de corrida! A raposa ficou sem graça e respondeu: - Transmita meus agradecimentos pelo convite, mas não poderei comparecer a esse evento! Muitas pessoas são como a raposa: não sabem conviver com os difer...

DIFÍCIL LIÇÃO

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A doutora Elisabeth Kübler-Ross (1926-2004) ficou conhecida mundialmente por ter tido a ousadia de falar a respeito da morte e do morrer. Num tempo em que alguns países aprovavam leis que permitiam a eutanásia, ela ensinou como se deve aguardar o momento derradeiro da existência.  Após alguns derrames, Elisabeth ficou totalmente à mercê do auxílio alheio. Entretanto, ela afirmava que estava aprendendo as lições da paciência e da resignação, dia após dia. Sofrendo dores constantes e progressiva fraqueza, aguardava ansiosa o momento de sua partida. Dizia ter muitas lições finais a aprender e que, apesar de todo o sofrimento, era contra aqueles que tiram a vida das pessoas de forma prematura, apenas porque elas padecem dores e desconforto. Antes totalmente independente e ativa, ficou limitada a uma cama e uma cadeira de rodas. Perdeu por completo a privacidade, pois pessoas entravam e saíam de seu quarto o tempo todo. Havia dias que sua casa enchia de visitas; em outros, f...

TATO DE MÃE

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Um menino com um papelzinho na mão entrou correndo pela porta do quarto dos pais, ansioso pra que ouvissem seu recém-criado poema. Encontrou-os, todavia, numa discussão acirrada a respeito de um assunto qualquer.  O pequeno ficou ali, ao lado, quase invisível, tentando chamar para si a atenção.  - Pai, mãe, vejam o que escrevi! Repetiu o apelo algumas vezes, falando cada vez mais alto; mas a balbúrdia no aposento tornou-se quase insuportável. Ninguém se entendia e todos queriam ser ouvidos. O pai, repentinamente, já sem paciência, tomou a folha de papel das mãos do garoto, amassou-a com força e gritou:  - Já não disse que agora não posso? E atirou a bolinha de papel na lixeira mais próxima. O pobre menino ficou sem chão e imerso em lágrimas. Mais tarde, a mãe, que não ficara satisfeita com a cena, foi ter com o filho, cheia de compaixão.  Ele havia recuperado sua criação - agora, uma folhinha toda enrugada. Tinha um semblante emocionado e condoído. - Filh...

O BURACO NO CAMINHO

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Um homem caminhava por uma estrada quando, distraído, caiu em um grande buraco. Gritou por ajuda, mas ninguém apareceu. Tentou escalar as paredes do buraco, mas sempre escorregava e caía. Chorou, gritou, xingou, se culpou, culpou a pessoa que cavou o buraco. Depois de muito pensar, ele teve a ideia de fazer uns buracos na parede para apoiar os pés e assim conseguir sair, o que aconteceu após muito esforço, suor, machucados e arranhões.  Semanas depois, o homem precisou passar pelo mesmo lugar e acabou caindo novamente no buraco. Dessa vez, ficou muito irritado por ter cometido o mesmo erro; no entanto, ele já sabia como sair, então não foi tão trabalhoso quanto a primeira vez.  Cerca de dois meses depois, o mesmo homem, entretido, passou por aquele caminho e caiu mais uma vez no bendito buraco. Ele não gritou e nem xingou; apenas fez o que tinha que fazer e saiu. Quase um ano depois, ao passar pela mesma estrada, o sujeito se lembrou das vezes em que havia caído no...

VOCÊ FAZ SEU MUNDO

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  Um jovem viajante chegou a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou: - Que tipo de pessoa vive neste lugar? O ancião respondeu com outra pergunta: - Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem? - Oh, muitos egoístas e malvados! – replicou o rapaz – Estou até aliviado por ter saído de lá! - Bem, a mesma coisa você encontrará por aqui! –replicou o velho. Naquele mesmo dia, um outro nômade chegou à aldeia e encontrou o mesmo ancião. - Senhor, pode me informar que tipo de pessoas vive aqui? - Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem? O moço respondeu: - Ah, ótimas pessoas - amigas, honestas, hospitaleiras. Saí de lá, mas com muito pesar por ter saído. - Bem. O mesmo você encontrará por aqui - disse o ancião. Um aldeão que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho: - Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta? O idoso então explicou: - Cada um carrega no seu coração o ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de ...

SEU GRANDE VALOR

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Um caracol se sentia muito infeliz. Via que quase todos os animais eram mais ágeis que ele. Uns brincavam, corriam e saltavam, enquanto que ele vivia aborrecido sob o peso de sua carapaça. Amigos e familiares tentavam, sem sucesso, animá-lo. - Caracol, pensa um pouco: se a natureza te deu essa carapaça, foi para algum propósito - ponderou a tartaruga, cuja situação era semelhante à do amigo. - Sim; mas pode explicar-me a razão? - rebatia o caracol com amargura. Seu pessimismo chegou a tal ponto que todos o abandonaram. E ele seguia vagarosamente seu caminho com a "carga" às costas, parecendo-lhe mais pesada do que realmente era. Um dia, desabou uma tempestade que se estendeu por muito tempo e as águas subiram, inundando tudo. Praticamente todos os bichos da mata agora estavam em apuros. O caracol, porém, encontrou um refúgio seguro - dentro da própria carapaça! A partir dali, o caracol passou a compreender a utilidade de seu teto natural. Abandonou o hábito de rec...

O SEGREDO DAS CRIANÇAS FELIZES

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Ao final da Segunda Grande Guerra, em 1945, a Europa estava em ruínas. Entre muitos problemas, havia o cuidado de centenas de órfãos, cujos pais foram mortos ou desapareceram na guerra. A Suíça, que permanecera neutra durante o conflito, enviou alguns dos seus profissionais de saúde para ajudar a solucionar a delicada questão.  Um dos médicos, visando pesquisar a melhor forma de cuidar dos bebês órfãos, viajou pela Europa. Visitou muitos locais onde tais crianças eram assistidas. Ele presenciou situações extremas. Em alguns lugares, onde campos hospitalares americanos foram montados, bebês eram colocados em berços limpos, em enfermarias higienizadas e alimentados em horários regulares por enfermeiras uniformizadas - com todo rigor de higiene e cuidados possíveis. Em outra ponta, numa remota vila das montanhas, um caminhão simplesmente encostou e o motorista perguntou: - Vocês podem cuidar destes bebês? E largou quase cinquenta crianças chorando, aos cuidados dos morador...

OS MELHORES TESOUROS

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Um rei muito benquisto por seu povo, ao perceber que estava envelhecendo, resolveu decidir qual dos seus filhos iria herdar seu trono. Decisão difícil, pois todos tinham bom coração e eram igualmente dignos de receber a coroa. Depois de muito pensar numa forma de não ser injusto, o rei teve uma ideia. Mandou chamar os três: - Meus filhos! Já estou velho e em breve não terei mais forças para governar. Vocês todos são maravilhosos e sei que qualquer um de vocês seria um ótimo rei. Como não posso coroar os três mas apenas um, o melhor jeito que encontrei para escolher um de vocês é dar-lhes um desafio: saiam agora e me tragam aquilo que vocês julgarem representar melhor o nosso reino. Vocês têm até a hora do jantar para me trazer isso. Eu julgarei qual seja o símbolo mais apropriado. Os príncipes, então, saíram em busca do que o pai lhes pediu. Um deles decidiu procurar dentro do próprio castelo - num cofre onde estavam guardados os maiores tesouros do reino. O segundo, por su...

LIÇÃO DA DONA CLOTILDE

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A dona Clotilde do 71, injustamente chamada de "bruxa", nos ensina, há décadas, a como não persistir em algo que a gente já sabe que não vai acontecer. Foram tantos bolos, galetos, águas de colônia, demonstrações de cuidado e de preocupação pelo Seu Madruga - nada adiantou. O fato é que a dona Clotilde nunca deixou de ser coadjuvante na sua própria história de amor. Ela é o retrato de nossas ligações não atendidas, convites ignorados, mensagens visualizadas e nunca respondidas. É a personificação daquelas afeições que a gente concebe a sós na solidão do quarto, deixando o sono sufocado. Quantas oportunidades não deixamos de aproveitar enquanto insistimos com tal atitude! Talvez dona Clotilde pudesse ter casado com o Sr. Barriga, "fisgado" o professor Girafales, ou simplesmente aprendido a viver sozinha, mas feliz; entretanto ela persistiu em tentar com alguém que sempre fugia dela. Persistência não implica necessariamente em êxito; nem sempre amar signif...

OLHAR DE BIA

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Uma menina de seis anos chamada Beatriz Martins passeava de carro com a família, quando parou em um semáforo e viu outras crianças pedindo balas aos motoristas. Chocada, não conseguia compreender aquilo. Aquelas crianças estavam com roupas rasgadas. Inconformada, Bia perguntou ao pai por que estavam daquele jeito. O pai explicou-lhe algumas coisas sobre as diferenças sociais. Ainda assim, Bia continuava não entendendo, achando aquilo uma injustiça. O episódio não saiu da sua cabeça. Ela queria ajudar. Assim, durante quatro meses, ela começou a juntar toda bala, pirulito ou doce que ganhava. Seu intento era distribuir as guloseimas no Natal, às crianças mais pobres. Surpreso com a atitude da filha, o pai convidou amigos, vizinhos, parentes e quem mais pudesse ajudar na arrecadação de donativos. "No Natal daquele ano atendemos seiscentas crianças", lembra Bia. Até então ela não sabia, mas acabava de fundar sua ONG. Na Páscoa e nas próximas datas comemorativas, a men...

AS BARULHENTAS

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Numa trilha muito acidentada, uma junta de bois puxava uma carroça pesada. A cada volta nos eixos, as rodas de madeira gemiam aguçada e ruidosamente. Impaciente com o barulho, o cocheiro gritou: - Rodas, por que vocês fazem tanta barulheira? São os bois que aguentam o peso todo e no entanto estão calados! Um dos bois murmurou para o outro: - Pior que ele tem razão! Já reparou que os que mais reclamam são os que menos fazem? Fábula de Esopo - adaptação de Marcos Aguiar. 

BUDDY BENCHS

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Não se sabe ao certo como surgiram, em escolas dos Estados Unidos, os "buddy benchs" ("bancos de amigos" ou "bancos da amizade"), mas a intenção é clara: ajudar as crianças a lidar com o bullying e a solidão. São, normalmente, bancos de madeira, pintados com uma cor específica e com identificação devida, posicionados em locais estratégicos no pátio do colégio.  A criança que senta ali está, discretamente, afirmando que se sente sozinha, isolada e que carece de atenção. Nem sempre as crianças conseguem expressar sua carência, então os bancos ajudam a externar esse apelo. Os assentos, por vezes, servem simplesmente pra que crianças novatas ou acanhadas façam amigos, chamando a atenção dos outros e dizendo: "estou aqui". Os pequenos se envolvem desde a confecção do banco até sua pintura, produzindo verdadeiras obras de arte e os resultados têm sido muito bons. De um lado, atendendo aqueles que estão vivendo períodos de fragilidade, que p...

SEM COMPETIÇÃO

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Mary, professora recém-formada, aceitou a incumbência de lecionar numa reserva de índios navajos. Todos os dias ela pedia a cinco dos jovens alunos que fossem até o quadro e resolvessem um problema matemático. Eles, no entanto, permaneciam em silêncio e não cumpriam a tarefa.  Mary ficava sem entender. Nada do que havia estudado em seu currículo pedagógico a ajudava a lidar com a situação. "O que estou fazendo de errado?", pensava ela. "Será possível que todos os alunos que escolho não sabem resolver o problema?" Finalmente, ela perguntou a eles o que havia de errado. A resposta deles a surpreendeu. Eles explicaram que queriam se respeitar uns aos outros. Como sabiam que uns eram mais capazes e outros tinham dificuldade em resolver os problemas, não queriam expor isso. Apesar de muito jovens, entendiam como era inútil e desrespeitosa a competição do tipo "perde-ganha" na sala de aula. Concluíram que ninguém sairia ganhando se algum deles se exi...

APARENTE LADRA

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Em certa aldeia, vivia um médico muito sábio e rico, que atendia a todos sem nada cobrar. Muitos vinham de longe para serem atendidos por ele. Esse médico tinha uma gata, a qual todas as noites se sentava com ele na varanda, fazendo-lhe companhia até à hora de dormir. A gata era muito comportada; sempre que estava com fome, ia à cozinha e ficava miando na porta, até o cozinheiro aparecer com um pote de comida ou uma tigela de leite. Mas um dia a gata não miou: entrou na cozinha e subiu na pia, onde apanhou um belo pedaço de carne que seria preparado para o almoço. O cozinheiro havia ido à despensa e, ao retornar, viu a gata com a carne na boca. Irritado, ele a enxotou da cozinha com a vassoura. Naquela noite a gata não apareceu na varanda e seu dono ficou preocupado. No dia seguinte ele começou a procurá-la e pediu a seus funcionários para ajudá-lo. Ao perceber o que estava acontecendo, o cozinheiro contou ao médico o que havia acontecido na véspera. Nisso chegou um dos emp...

O PERU MEDROSO

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Um peru e um galo estavam empoleirados na mesma árvore. A raposa os viu de longe e começou a lamber os beiços, antevendo uma bela refeição.  O peru foi o primeiro a notar a presença da predadora e, por pouco, não caiu da árvore com o susto. Já o galo desatou a rir. Consciente de que raposas não sobem em árvores, fechou os olhos e dormiu tranquilo. Mas o coitado do peru tremia que nem vara verde e não tirava o olho da raposa. Esta pensou: "O galo não apanho, mas o peru já está no papo!" Ela então começou a fazer trejeitos horríveis, dar pinotes e urrar. Isso foi deixando o peru cada vez mais apavorado. Por fim, de tanto medo e tremedeira, ficou tonto e caiu do galho, indo parar entre os dentes da raposa. O medo em excesso nos deixa cegos ao real perigo que corremos e, consequentemente, mais vulneráveis àqueles que buscam o nosso mal. Fábula de Monteiro Lobato - adaptação de Marcos Aguiar. 

O MEDO QUE CRIAMOS

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Na sala de aula, a professora perguntou aos alunos:  - Do que vocês têm mais medo? Logo choveram respostas: - Eu tenho medo do escuro! - Tenho muito medo de me afogar! - Ai, eu tenho medo de morrer! - Morro de medo de altura, professora! - Fico com medo de que minha mãe esqueça de vir me buscar... E mais outras confissões se ouviram.  Só uma garotinha permanecia calada. - E você, querida? - indagou a professora - Diga-nos, qual o seu medo? Ela suspirou e disse: - Eu tenho muito medo do malamém, que é um monstro muito perigoso... - "Malamém"? Mas você já viu esse monstro?  - Não, senhora, nunca vi. Mas é um monstro tão perigoso que minha mãe pede todos os dias a Deus que nos livre dele - contou a menina. E explicou: - Minha mãe sempre pede a Deus no fim da sua oração: "...e livrai-nos do malamém." Com isso a professora compreendeu. O medo daquela criança ao ouvir aquelas palavras era tão grande que ela nunca teve coragem de perguntar à mãe o significado d...

COMO LEOAS E GAZELAS

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Todas as manhãs, na savana africana, uma gazela, ao despertar, sabe muito bem que precisa ser mais veloz que na véspera, pois a leoa, rainha da selva, continuará a persegui-la sem trégua. Da mesma forma, a leoa, assim que abre os olhos após o descanso, precisa traçar um plano bem mais ousado que o anterior, a fim de capturar sua presa favorita. E a leoa precisa fazer isso o quanto antes, senão será vencida pela fome. Você é gazela ou leoa? Na verdade, não importa muito. Seja como for, você sabe que precisa fazer tudo o que estiver ao seu alcance para vencer as lutas e desafios do cotidiano. Se estagnar, morrerá. Autoria desconhecida - adaptação de Marcos Aguiar. 

MINHA VIDA COM BORIS

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Nascida em São Paulo na década de 1970, Thays Martinez ficou cega aos quatro anos devido a complicações com a caxumba. Tal fato, entretanto, não a impediu de se tornar uma mulher forte e perseguir insistentemente seus sonhos. No intuito de lutar por uma vida mais justa e de maior acessibilidade aos deficientes visuais, Thays tornou-se advogada. Já aos vinte e seis anos, viajou para os Estados Unidos a fim de receber o seu cão labrador Boris. Até então ainda não havia no Brasil treinamento para cães-guias e, assim, ela precisou buscá-lo fora do país. Em maio de 2000, Thays e Boris saíram de casa para fazer história. Recém-chegados da América, ambos tiveram a entrada barrada numa estação de metrô. Animais não eram permitidos. Thays então moveu uma ação judicial contra a companhia de transporte. Ladeada por Boris, a advogada realizou a própria defesa, conquistando uma vitória sem precedentes no Tribunal de Justiça de São Paulo. Antes mesmo da decisão judicial, que permitiu o a...

A GRANDE VENCEDORA

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Desafiaram um homem para um combate - na verdade, um torneio, com uma série de adversários para enfrentá-lo, um de cada vez. O primeiro oponente foi o Orgulho. Conseguiu golpear o homem diversas vezes, mas este, ao final, deu-lhe uma rasteira que o deixou desacordado. A Tristeza, em seguida, tentou segurá-lo num abraço mortal; mas o homem lhe deu uma formidável cotovelada no rosto. A Tristeza teve de ser carregada, pois não se aguentava em pé. Um terceiro oponente se apresentou, mas o homem, vendo-o, sorriu. Era uma anciã. "É só uma pobre coitada! Não vou ter trabalho com ela!", pensou com sarcasmo.  Mas a velha, subitamente, deu uma bofetada tão forte no homem que o arremessou para o outro lado da arena.  Quando foram acudi-lo, viram que ele estava morto. A vencedora chamava-se Velhice. Somos páreos para muitos inimigos, visíveis e invisíveis, mas nunca para a velhice. Todos se rendem a essa adversária; contra ela não há recurso, nem investida, nem revanche. O oc...

PASSE COM A VERDADE

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Um homem levou seus filhos ao circo. Na bilheteria, perguntou: - Boa noite. Quanto custa a entrada? - R$ 30,00 para adultos e R$ 20,00 para crianças a partir de sete anos. Crianças até seis anos não pagam. Quantos anos têm seus filhos? - O menor tem três anos e o maior, sete. O bilheteiro sorriu com malícia: - Se tivesse falado que o mais velho tinha seis anos eu não perceberia e o senhor teria economizado R$ 20,00... - Pois é; é verdade. Talvez você não percebesse, mas meus filhos saberiam que eu menti para poupar esse dinheiro; então a lembrança desta noite não seria nada especial - na verdade, seria uma péssima recordação para eles! Posso estar "perdendo" R$ 20,00, mas ganho a certeza de que meus filhos aprenderam uma boa lição: a importância de dizer a verdade SEMPRE. O bilheteiro emudeceu. Aquela noite seria inesquecível também para ele, não apenas para aquelas crianças. Aconteça o que acontecer, passe com a verdade! Autoria desconhecida - adaptação de Marcos...

O OVO DA VACA

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Mimosa era uma vaca que vivia muito triste e deprimida. Suas amigas galinhas, preocupadas, foram falar com ela.  - O que você tem afinal, Mimi? - cacarejaram. - Ah! É que não sei fazer nada de especial! - Mas como assim, amiga? - Por exemplo: não sei andar de bicicleta como as outras vacas! As galinhas olharam curiosas umas para as outras. Elas não sabiam que vacas andavam de bicicleta. E Mimosa continuou: - Também não sei plantar bananeira como as outras vacas!   As galinhas, mais uma vez, entreolharam-se com assombro, pois jamais imaginaram que vacas pudessem plantar bananeira. - Pois é, minhas queridas - suspirou Mimosa - Realmente não sei fazer nada de especial mesmo... Naquela noite, as galinhas fizeram uma reunião, cacarejando baixinho. Resolveram ajudar Mimosa de qualquer jeito e acabar com a baixa estima dela. - Que faremos? - indagaram-se. Uma delas teve uma ideia. Quando as outras ouviram o plano, concordaram alegremente.  Na manhã seguinte, bem...

SEGUNDA CHANCE

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Na França do século dezoito, viveu um homem chamado Jean Valjean. Passou boa parte da juventude na prisão e lá embruteceu o espírito, acostumando-se a ser tratado como uma fera indomável.  Anos depois, após cumprir sua pena, foi posto em liberdade e recebeu um documento no qual se mencionava que ele era um ex-detento perigoso. Na realidade, seu único crime fora ter quebrado uma janela e roubado um pão para alimentar os filhos de sua falecida irmã, que estavam sob seus cuidados. Embora livre, seu futuro era incerto. Vagou entre um vilarejo e outro até que, numa noite, atreveu-se a bater à porta da casa em que morava um homem muito piedoso. Um senhor de expressão bondosa e serena o atendeu e, sem fazer perguntas, o convidou a entrar e comer.  Valjean estava surpreso com tão amistosa recepção e hospitalidade.  Seu anfitrião era ninguém menos que o bispo monsenhor local. Era assim que ele tratava qualquer criatura que viesse procurá-lo, não importando a hora ou ci...

PACIENTE COMO UM BÚFALO

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Uma zebra pastava tranquilamente quando avistou um enorme búfalo dormindo à sombra de uma árvore e, sobre ele, um macaquinho dançando e pulando. Mas o curioso era que o búfalo não estava nem aí. No dia seguinte, ao passar pelo mesmo local, a zebra viu o mesmo búfalo pastando e o macaquinho pendurado em seu chifre, fazendo acrobacias; mas o búfalo, indiferente, continuava a pastar. No terceiro dia, a zebra viu o búfalo caminhando e o macaquinho pendurando em seu rabo como se fosse um cipó, balançando de um lado para o outro. A zebra então decidiu abordar o búfalo. - Amigo: você é tão imponente que pode, com facilidade, derrubar uma árvore e seus chifres pontiagudos podem matar até mesmo um leão; por que então permite que esse macaquinho te importune assim? O búfalo, dando de ombros, respondeu: - Esse macaco, além de insignificante, é desprovido de inteligência; por que eu deveria me importar se sou mais forte que ele? Pessoas maduras fazem-se de surdas a coisas irrelevantes ...

DIFERENTES, MAS ESSENCIAIS

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Entraram num bate-boca o Ponto Final, a Vírgula, a Exclamação e a Interrogação, cada um se afirmando o mais importante. Começou com a Interrogação: - Quem é que faz todas as perguntas? Quem é que assinala todas as dúvidas e indagações? Entendem como sou indispensável? - Ah, é? - retrucou o Ponto Final - Eu sou a resposta a todas a perguntas e dou fim a todas as discussões. Eu é que sou o maior. - Sem mim, nenhuma ordem ou expressão fazem sentido! - declarou a Exclamação.  Já a Vírgula argumentou: - Experimentem dizer: "Ana Teresa Maria José Rita Sofia eram da mesma família!" Sem mim, nã há como saber quantas pessoas tem a família! - Ora, essa é fácil: seis! - resmungou a Exclamação.  - Serão mesmo seis? - questionou a Interrogação. - Apenas eu decido isso! - respondeu a Vírgula com arrogância - Podem ser apenas três (Ana Teresa, Maria José, Rita Sofia), quatro (Ana, Teresa Maria, José, Rita Sofia), cinco (Ana, Teresa Maria, José, Rita, Sofia) ou seis (Ana, Teresa,...

NAUPAKA

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Num tempo imemorial, havia, no Havaí, um homem muito bonito por quem a deusa do fogo se apaixonou. Mas havia um porém: ele era casado e amava sua esposa. A deusa do fogo então planejou matar a mulher a fim de ficar com o homem. De alguma forma, o casal ficou sabendo do plano maligno da deusa e conseguiu fugir a tempo. Mas o homem, preocupado com a segurança de sua amada, disse-lhe: - Meu amor: enquanto não passa a zanga da deusa do fogo, devemos nos esconder em locais separados; assim confundiremos a deusa e ela não nos encontrará. A mulher, a contragosto, concordou. Ela se escondeu nas montanhas e ele, num abrigo próximo à praia. Todavia, antes de se separarem, pegaram uma flor de naupaka e a dividiram ao meio, ficando cada um com uma metade, como recordação do seu amor. É por isso que, até hoje, toda naupaka nasce somente com metade das pétalas. Essa flor é encontrada tanto nas montanhas quanto na costa do Havaí. Lenda havaiana - adaptação de Marcos Aguiar. 

UM BAITA NABO

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Um casal de velhinhos morava numa pequena vila na Rússia juntamente com sua neta, um cachorro, um gato e um ratinho. Cultivavam nabos e a safra era sempre boa e abundante.  Na época da colheita, o vovô descobriu um nabo tão graúdo que simplesmente não conseguiu retirá-lo da terra. Então chamou a esposa para ajudá-lo a puxar. Fizeram o maior esforço, mas o tubérculo parecia uma barra de ferro. - Meu bem, venha cá! - disse a vovó para a netinha. Os três puxaram com toda força e mesmo assim o nabo não saía do lugar. A menina então assobiou, chamando o cachorro. Os quatro tentaram e, novamente, o esforço foi infrutífero. O cachorro resolveu chamar o gato, que estava de bobeira. A "força-tarefa", agora com cinco, se esforçou ao máximo, mas outra vez sem nenhum sucesso. Quando o gato viu que não estava dando certo, chamou o ratinho. Os seis respiraram fundo e deram aquela puxada. Finalmente, o nabo foi arrancado. A "mãozinha" do rato fora decisiva.  Mesmo uma ...

TA-IN, TA-NA E TA-UL

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Viviam na mesma aldeia dois velhinhos, cujos nomes eram Ta-In e Ta-Na. Eram pescadores e muito amigos. Todos os dias saíam juntos ao mar e apanhavam muitos peixes. Se um não se saía bem, o outro sempre dividia os peixes e assim ambos voltavam para casa com quantidades iguais. Certa manhã, foram pescar como de costume, mas aconteceu algo inusitado: passou-se o dia e não conseguiram pegar um único peixinho. Isso nunca havia acontecido antes e, além de perplexos, começaram a ficar com fome. De repente, Ta-In sentiu um forte movimento em sua vara e puxou. Ficou surpreso com o tamanho do peixe agarrado a seu anzol, mas não conseguia trazê-lo para o barco, de tão pesado que era. Chamou Ta-Na, que veio rapidamente; e assim conseguiram arrastar o peixe para a praia. No entanto, assim que desceram do barco, Ta-In falou: - Meu amigo, até amanhã. Agora vou para casa preparar este peixe para a janta. - Como assim? - retrucou Ta-Na - Eu te ajudei a carregar o peixe, portanto ten...

TODOS SÃO ESSENCIAIS

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Um dia, todas as aves foram convocadas para uma assembleia. A águia, que presidia a sessão, começou: - Amigos, precisamos fazer uma limpeza nos ares. Estive conversando com o faisão, o condor e o falcão e decidimos condenar os abutres à morte. Eles simplesmente denigrem os céus com sua aparência grotesca e horrível. Eles não são necessários. A águia proferiu esse discurso de ódio aproveitando a ausência dos abutres. Eles estavam ocupados e mandaram avisar que iriam chegar com atraso. O falcão e o condor receberam a tarefa de encontrar os abutres e matá-los. Sobrevoaram quilômetros à procura dos desprezíveis pássaros, sem resultado. Foi quando se depararam com um campo de batalha dos humanos e incontáveis cadáveres espalhados por toda parte. Ali, naquele cenário horrendo e mal cheiroso, os abutres celebravam um grande banquete.  - É agora! - disse o condor - Os abutres estão distraídos com a festa deles. Vamos pegá-los! E assim o condor e o falcão se lançaram sobre os ab...