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Mostrando postagens de julho, 2026

A ROSA MAIS LINDA DO MUNDO

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Num reino distante, havia uma rainha muito poderosa. Ela amava flores - especialmente rosas - e tinha um jardim repleto das mais lindas rosas de todo o reino. Contudo, dentro do castelo a situação não era tão bela: a rainha vivia muito enferma e nenhum médico conseguia cura para a sua doença. Foi quando um de seus conselheiros lhe disse: - Majestade, a senhora será curada se lhe for trazida a mais linda rosa do mundo!  Como a rainha era muito querida por seus súditos, muitos deles começaram a levar suas rosas até o castelo na esperança de salvá-la, mas nada acontecia. Então uma pobre mulher com sua criança pediu uma audiência com a rainha. E falou: - Majestade, a rosa mais linda do mundo desabrocha no sorriso da minha filha quando ela acorda. A bebezinha dormia nos braços da mãe; quando a rainha acariciou-lhe a mãozinha, a pequena acordou, olhou diretamente a rainha nos olhos e sorriu tão docemente que logo a soberana já não se sentia doente, de tão encantada com a aleg...

RENÚNCIA DE MÃE

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Um homem, certa vez, numa roda de amigos, relembrou algo da própria infância: "Éramos treze irmãos. Quando garoto, me inquietava o fato de minha mãe raramente almoçar ou jantar conosco. Um dia tomei coragem e perguntei a ela sobre isso. - É que não sinto fome, meu filho - foi a resposta dela, acrescida de um sorriso terno. Eu achava estranho minha mãe quase nunca ter fome e sempre que eu indagava, ela me respondia a mesma coisa. Os anos se passaram e todos crescemos. Hoje sei que minha mãezinha deixava de comer, não por falta de fome, mas por falta de comida. Ela, uma mulher semi-analfabeta, cuidava de nós com tanto amor e nenhum de nós percebia, naquele tempo, que ela renunciava à comida para que pudéssemos nos alimentar, mesmo precariamente. Jamais permitiu que nos sentíssemos culpados pelas necessidades que nossa família enfrentava." Não é preciso dizer que todos os presentes choraram. Esse é o verdadeiro amor. O amor que sabe renunciar até mesmo às necessidade...

UM MAL QUE PRECISA DESAPARECER

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Em 1960, uma garota negra chamada Ruby Bridges reagiu pacificamente aos manifestantes que tentaram impedi-la de frequentar uma escola pública em Nova Orleans. Ameaçavam-na com punhos cerrados e palavras de humilhação. Naquele ano, a Suprema Corte Americana determinara que as escolas públicas passassem a admitir alunos negros. Ruby tinha 6 anos de idade quando foi matriculada na Escola Elementar Frantz. A polícia local se recusou a protegê-la, de maneira que delegados federais foram designados para acompanhá-la, ajudando-a a passar por uma multidão de manifestantes revoltados, que gritavam até ameaças de morte contra ela. Durante todo o ano letivo, Ruby foi a única criança a frequentar aquela escola, pois os pais brancos tiraram seus filhos de lá; todos os professores se recusaram a ensinar enquanto ela estivesse matriculada. Apenas a professora Barbara Henry concordou em ensinar Ruby e por mais de um ano fez isso sozinha, como se estivesse dando aula para uma turma inteira....

INFORTÚNIO SOBRE TODOS

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- Estamos livres! Estamos livres! - gritaram uns passarinhos, certo dia, ao verem um caçador capturando a coruja. - Agora a coruja não vai mais nos assustar. Podemos dormir em paz! De fato, a coruja tinha caído na arapuca e aprisionada numa gaiola. - Agora podemos nos alegrar com a coruja presa! - disseram os passarinhos, cantando e arrodeando a gaiola de sua inimiga. O homem, contudo, apanhara a coruja com a finalidade de pegar os passarinhos. Prendeu a coruja pelo pé, posicionando-a em cima de uma estaca, na janela. A fim de poderem ver a coruja, os passarinhos pousaram nas árvores próximas, nas quais o caçador escondera armadilhas. De maneira que, assim como a coruja, todos os passarinhos acabaram perdendo a liberdade. Aqueles que se alegram quando um opressor perde a liberdade deveriam tomar cuidado, pois o conquistado logo se torna instrumento do conquistador; enquanto que todos aqueles que nele confiam sucumbem a outro senhor e perdem a liberdade e, consequentemente, ...

MENOS ÓDIO, MAIS RESPEITO

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Uma policial, apesar de sua experiência no atendimento a vítimas de acidentes e de agressões, ficou chocada com o caso a seguir: Uma senhora fora encontrada com múltiplas lesões. No hospital, o diagnóstico revelou uma concussão cerebral e algumas fraturas. Como a vítima obviamente não podia dar detalhes do que acontecera, a policial buscou acesso à sua ficha hospitalar. Descobriu que, desde que viera morar na cidade, há quatro anos, fora atendida, emergencialmente, mais de uma vez. Na primeira, um punho quebrado. Na segunda, costelas fraturadas. A policial constatou que tais lesões foram fruto de violência doméstica. O que a deixou estarrecida foi descobrir que o agressor era o enteado, um jovem de dezessete anos, que residia com o casal. No interrogatório, ela detectou tamanho ódio do rapaz pela madrasta que a levou a questionar as razões desse sentimento tão intenso. O pai do garoto desconhecia a origem das agressões anteriores porque, habilmente, a esposa jamais lhe cont...

VOLTAS QUE A VIDA DÁ

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Um rei comentou certa vez com a filha: - Vocês existe graças a mim. Tudo o que necessita sou eu quem dou. Portanto, minha vontade determinará o teu futuro. A filha, serenamente, replicou: - Sei que lhe devo respeito, mas não posso aceitar que meu destino seja determinado pela sua vontade, meu pai. O rei ficou muito irritado com a filha e mandou prendê-la na masmorra do castelo, até que ela se dobrasse à vontade dele. Às vezes ele a visitava para ver se tinha mudado de ideia, mas ela permanecia irredutível.  Muito tempo se passou e o rei, cansado da situação, mandou trazer a filha à sua presença e lhe falou: - Eu poderia condená-la à morte, mas serei complacente. Você será banida do castelo e viverá por conta própria lá fora. Assim a princesa foi banida do reino de seu pai. Passou uns dias numa gruta até ser encontrada por uma caravana que passava por ali. Os mercadores a convidaram para se juntar a eles. Mais adiante, acolheram um andarilho que estava perdido e machucad...

ACIMA DAS ALTURAS

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Edmund Hillary (1919-2008) entrou para a História em 29 de maio de 1953, quando, junto com seu assistente Tenzing Norgay, atingiu os 8.848 metros do cume do "teto do mundo", como é chamado o monte Everest pelo povo do Nepal.  Foi uma proeza e tanto. Mas, um ano antes, ele já havia tentado e fracassara. Na época, os ingleses reconheceram seu esforço e o convidaram para discursar perante numerosa plateia. O alpinista começou a descrever suas dificuldades e, apesar dos aplausos, dizia sentir-se frustrado e incapaz. Em dado momento, porém, ele largou o microfone. Aproximou-se da enorme gravura que ilustrava seu percurso e gritou: - Everest, você me venceu esta primeira vez. Mas eu irei vencê-lo no próximo ano, e por uma razão muito simples: você já chegou ao máximo de sua altura, enquanto eu ainda estou crescendo! O restante, já sabemos, virou História. Qual é o teu Everest? Nunca duvide que você é maior que ele e pode superá-lo! Autoria anônima - adaptação de Marcos ...

SEJA MANACÁ!

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O manacá é uma planta espalhada por todo o Brasil, especialmente na Mata Atlântica. Ela se adapta bem ao solo pobre, contribuindo para o povoamento de áreas devastadas. Além disso, tem considerável valor ornamental. A coloração de suas flores é inicialmente branca, alterando depois para o lilás e o roxo-violáceo. Sua fase floril proporciona um verdadeiro espetáculo natural. É um projeto miúdo de árvore que chama a atenção. Em sua pequenez, com um caule diminuto, apresenta-se carregado de flores.  Se o manacá pudesse falar, provavelmente diria: "Fui plantado para florir, para embelezar este local. Vejam como floresço bem! Não importa que eu seja tão pequeno; fiz minha parte, cumpri minha missão!" Com foco e esforço, podemos ser como o manacá: realizar nossa missão, sem nos considerarmos inúteis. Importante é que cumpramos nosso propósito, que é progredir. Podemos não ser os melhores, mas podemos dar o nosso melhor! Autoria anônima - adaptação de Marcos Aguiar. 

A FELICIDADE DOS PEIXES

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Um monge e seu discípulo estavam atravessando uma ponte, quando o mestre parou e disse: - Olha como os peixes estão nadando felizes! O discípulo, atônito, respondeu: - Como pode ter certeza de que eles estão felizes? O senhor não é peixe! - Não sou peixe, é verdade; mas como pode ter tanta certeza de que eu não sei que eles estão felizes? Aquilo que eu sei ou não sei pertence aos meus sentimentos, não aos seus. O discípulo retrucou: - Eu sei que não sou o senhor e não tenho como saber como pensa e o que sente, mas tenho certeza de que o senhor não é um peixe! Caminharam por mais um tempo, em silêncio. Aí o mestre concluiu: - Nem tudo o que sabemos segue a razão ou a lógica. Eu sei que os peixes estão felizes porque sinto assim. Sei através de meus sentimentos, mas não consigo explicar; tem coisas que simplesmente apenas sabemos. Conto chinês - adaptação de Marcos Aguiar. 

COMIDA SEM SAL

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Certa feita, um rei perguntou às suas três filhas: - Qual de vocês é minha melhor amiga? A primogênita respondeu: - Quero mais a meu pai do que à luz do sol! A filha do meio declarou: - Gosto mais de meu pai do que de mim mesma! Já a caçula disse: - Meu pai, quero-lhe tanto como a comida quer o sal! Com isto o rei supôs que a filha mais nova não o amava tanto quanto as outras; assim, decidiu bani-la do palácio. Ela, depois de muitos dias vagando tristemente, chegou a um reino vizinho, onde conseguiu trabalho como cozinheira do palácio. Um dia, foi servido à Sua Alteza um pastel primorosamente preparado e o príncipe, ao parti-lo, encontrou dentro dele um anel pequeno e de grande valor.  Indagou então de quem seria aquele anel. Logo todas as damas e cortesãs da corte quiseram testar a joia, que foi passada de mão em mão, chegando à cozinheira, em cujo dedo o anel encaixou com perfeição.  Ao ver isso, o príncipe logo se apaixonou pela moça, desconfiando que ela fosse,...

SENTIMENTOS ALHEIOS

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Certa feita, uma mulher levou o filho ao Walt Disney World Resort. Fã da animação "Toy Story", o garoto ganhou o Slinky, o cachorro-mola. Eufórico, não o largou mais, nem enquanto dormia. Ao término das férias, mãe e filho deixaram o hotel e seguiram para o aeroporto. Já no carro, foi dada a falta do Slinky. Onde estaria? Provavelmente esquecido no interior de alguma loja, enquanto o menino se entretia com outros brinquedos. A mãe fez alguns telefonemas e, na tentativa de consolar o filho, disse: - Acho que o Slinky irá encontrar o caminho de casa, assim como seus amigos Buzz e Woody. Não se preocupe, filho. Assim que chegaram em casa, a mulher recebeu uma ligação da loja. O cachorro-mola fora encontrado. - Qual o custo para enviá-lo via postal? - indagou a mulher. - Não custará nada, senhora. O Mickey está tomando todas as providências. Uns dias depois, quando a encomenda chegou, nova surpresa. Um bilhete esclarecia o sumiço de Slinky: "Parece que ele não es...

ONDE ESTÁ A SUA PAZ?

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Dois homens moravam há anos numa movimentada avenida. Um deles, Pedro, vivia constantemente à beira de um ataque de nervos, pois não suportava o barulho ininterrupto dos veículos. Sempre pensava em como seria legal se a prefeitura restringisse o tráfego, ao menos durante a noite. Já o outro vizinho, Bernardo, não estava nem aí para a barulheira. Um dia Pedro perguntou, intrigado: - Vizinho, como você aguenta tão bem tudo isso? - Ah, eu adoro morar aqui. Acho linda a vista da minha sacada, o maravilhoso nascer do sol bem na minha janela. Amo observar o movimento dos pedestres e motoristas. - Mas... e o barulho? Você não se incomoda? - Olha, fico tão concentrado nos meus afazeres que nem percebo isso, acredita? Pedro não podia acreditar. Achou, por um instante, que o vizinho tinha problemas auditivos, mas não; ele confirmou que escutava muito bem. - E à noite? - indagou Pedro ainda atônito - Como faz pra dormir? - Ah, meu amigo, quando me deito à noite, sinto-...

A CARTA DA BONECA

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Certo dia, o escritor Franz Kafka (1883-1924), que nunca se casou e não tinha filhos, passeava num parque de Berlim quando se deparou com uma menina que chorava por ter perdido sua boneca favorita. Kafka saiu com ela à procura do brinquedo, sem sucesso. - Faça o seguinte, querida - disse-lhe Kafka-, volte aqui amanhã e continuaremos procurando sua boneca, está bem? No dia seguinte, mais uma vez, não conseguiram encontrar a boneca. Mas Kafka deu à garota uma carta. - Olhe, foi a boneca quem enviou esta carta. Vou lê-la pra você: "Por favor, não chore. Fiz uma viagem para conhecer o mundo. Vou te contar sobre minhas aventuras." Essa foi a primeira de muitas cartas "escritas" pela boneca, que Kafka entregava periodicamente à menina. Durante os encontros, Kafka lia as cartas da boneca, cuidadosamente escritas com aventuras e conversas que a garota passou a adorar. Depois de um tempo, Kafka trouxe-lhe a boneca (outra, claro) a qual, disse ele, estava de volta...

O MELHOR JEITO DE VENCER

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Numa tarde de primavera, o trem atravessava ruidosamente os subúrbios de Tóquio. Em um dos vagões, quase vazio, entre mulheres e idosos, havia um jovem lutador de Aikidô que, sentado à janela, observava distraidamente o cenário monótono da cidade. Chegando a uma estação, as portas da locomotiva se abriram e por uma delas entrou, justo naquele vagão, um bêbado. Parecia ser operário e possuía considerável musculatura.  Estava fedendo a bebida e suor e já foi entrando aos berros. Empurrou uma mulher que carregava um bebê ao colo; ela caiu sobre um assento vazio, mas felizmente nada aconteceu à criança.  O ébrio agarrou a haste de metal no meio do vagão e tentou furiosamente arrancá-la. Uma de suas mãos estava ferida e sangrando. Àquela altura os passageiros estavam paralisados de medo, mas o jovem lutador viu ali uma boa chance de testar suas habilidades marciais. Treinara bastante nos últimos três anos e ainda não havia colocado em prática o que aprendera. Almejava u...

PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO

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Bob estava sentado no banheiro, em meio a pilhas de chapas de gesso, num dia de muito trabalho.  O filho de treze anos entrou e perguntou: - Qualquer dia desses o senhor me leva pra jogar golfe? Bob ia dizer que não, mas segurou a negativa. - Está bem, filho. Na sexta-feira, após o colégio, pego você e seu colega e iremos ao campo de golfe. A sexta-feira chegou com um chuvisco e Bob queria desistir do combinado - não apenas por conta do mau tempo, mas também pela reforma do banheiro ainda não concluída. Contudo, na hora marcada, lá estava ele em frente à escola, esperando os meninos. Quando o filho entrou no carro, olhou perplexo para o pai. - Por que o senhor está com chapéu de golfe? - Ora, e não vamos jogar golfe? - O senhor também vai? Só então Bob entendeu. Ele não fora convidado.  Em poucos segundos, os treze anos de paternidade passaram pela sua cabeça. O nascimento. As fraldas. As mamadeiras. As tarefas escolares. Os consertos de bicicletas e brinquedos. Jo...

PERDER PRA GANHAR

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Um grão de trigo, deixado sozinho no campo após a colheita, esperava pela chuva a fim de esconder-se sob o solo. Mas uma formiga cruzou seu caminho. Ela pegou o grão e o colocou nas costas, seguindo penosamente em direção ao formigueiro. A cada passo, o grão parecia cada vez mais pesado. Aí ele disse: - Por que você não me deixa aqui? - Se eu deixar você para trás, poderemos ficar sem provisões suficientes para o inverno. Em nosso formigueiro somos muitos e cada um tem a obrigação de abastecer o celeiro com todo alimento que encontrar! - Mas eu não fui feito só para alimentar! - objetou o grão de trigo - Sou uma semente cheia de vida e meu destino é gerar uma planta. Ouça, cara formiga, vamos fazer um pacto? - Mas que pacto? - indagou o inseto, parando um pouco e pousando o grão no solo. - Se você me deixar aqui no campo, ao invés de me levar para o formigueiro, eu darei a você, daqui a um ano, cem grãos de trigo exatamente iguais a mim. A formiga olhou para a semente com a...

ACERCA DE UMA CERCA

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Um homem adquiriu uma fazenda e, dias depois, se encontrou com um novo vizinho. Este falou: - Então é o senhor o novo dono desta propriedade? - Sim, vizinho! - Pois já vou logo lhe falando que vai ter sérios aborrecimentos. Com as terras, acabou comprando também uma questão na justiça.  - Como assim, amigo? - Vou explicar. O proprietário anterior construiu uma cerca fora da linha divisória e vivíamos em pé de guerra por causa disso. Ele nunca quis mudar e eu nunca concordei com a posição da cerca. Estou de saco cheio dessa situação e não vou deixar barato. Vou atrás dos meus direitos! - Vizinho, não precisa fazer isso - retornou o morador novato, sempre calmo - Eu acredito em seu relato e entendo que você está na sua razão. Se a cerca não está delimitando corretamente nossas terras, irei até lá para consertá-la, colocando-a no devido lugar. O outro ficou boquiaberto. - Está falando sério? - Claro! - Se é assim, vizinho, então a cerca fica como está. O senhor é um homem ...

O DONO DE CASA

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Certo homem, extremamente irritado, nunca achava que sua esposa fosse boa o suficiente para as tarefas da casa; ele vivia reclamando. E, num dia em que ela se atrasou em levar-lhe o almoço no trabalho, ele surtou; daí a mulher disse: - Vamos fazer o seguinte: amanhã trocaremos os papéis. Você ficará em casa cuidando de tudo e eu virei trabalhar no campo. - Ah! Vai ser moleza! - respondeu o homem com desdém. Assim, na manhã seguinte, a mulher partiu para o campo e o marido iniciou as atividades do lar.  Primeiro, precisou fazer manteiga. Após bater o leite por algum tempo, teve sede e foi buscar água; nesse ínterim, o porco entrou na cozinha e derrubou o pote da manteiga, espalhando pelo chão todo o conteúdo. O homem, enfurecido, saiu atrás do porco mas, na pressa, esbarrou no armário, o qual desabou com pratos e talheres. Só então lembrou-se da torneira que deixara ligada no quintal, que virou um charco. Teve de ir à venda para comprar nata. Voltando a fazer manteiga, l...

CÉU E INFERNO

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Certa vez, um célebre samurai conhecido por sua impetuosidade foi ter com um sábio monge, em busca de respostas para suas indagações.  - Monge, ensina-me sobre o céu e o inferno. Simulando desprezo, o franzino sábio respondeu: - Não posso lhe ensinar coisa alguma. Você está imundo e com um cheiro insuportável, sem falar que a lâmina de sua espada está enferrujada. Você é a vergonha dos samurais. O guerreiro ficou deveras enfurecido e, de tanta raiva, não conseguiu dizer uma palavra. Empunhando precipitadamente sua espada, quis investir contra o monge. - Aí começa o inferno! - falou o monge, como única reação.  O samurai estacou, impressionado com a sabedoria e a coragem do sábio que, arriscando-se a morrer, lhe ensinou em poucas palavras sobre o inferno. Então, arrependido, deixou-se sentar no chão, ao lado do monge, que permaneceu em silêncio.  Momentos depois, completamente comovido, o guerreiro suplicou-lhe perdão pelo gesto infeliz. - Aí começa o céu! - re...

UM ANJO NA AUSTRÁLIA

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O australiano Donald Taylor Ritchie (1925-2012), corretor aposentado, interveio em muitas tentativas de suicídio, tendo resgatado oficialmente mais de 160 pessoas que tentavam saltar de um penhasco em Sydney, o "The Gap", próximo à residência dele. A média de suicídios naquele penhasco é de cinquenta por ano. E Donald, que já recebeu o apelido de "anjo da guarda", voluntariamente monitorava possíveis suicidas que para lá se dirigiam. Após um salvamento bem-sucedido, Taylor foi entrevistado pela BBC Brasil. Ele contou: - Sempre que vejo alguém por ali muito pensativo ou ultrapassando as cordas que delimitam o lugar, vou em direção à pessoa e puxo conversa. Não raro a convido para um café, em minha casa. É um dos meus métodos preferidos. E, com o café, ofereço um sorriso, uma palavra amável, uma conversa amiga. Assim, muitas vezes, consigo fazer com que a pessoa mude de ideia. Por toda essa dedicação, Taylor recebeu muitas manifestações de agradecimento e ...

UMA "LAGARTA" TRANSFORMADA

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Certa vez, o capelão de um hospital foi convocado pela enfermeira-chefe para atender uma senhora que se recuperava de uma delicada cirurgia abdominal por câncer. Ele soube que aquela paciente era considerada, ali, "o problema número um" - exigente, abusiva e intratável. Usava de palavreado chulo, tornando-se mais insolente a cada dia. A primeira visita do capelão provocou nela uma infindável torrente de queixas a respeito do tratamento, do serviço médico e da enfermagem, além de suas dores. Naquela voz áspera e violenta, o capelão percebeu nítido pânico. Assim, junto com a psiquiatra, passou a assisti-la diariamente. O histórico dela era a de uma mulher obcecada pelo trabalho, não se dedicando a ninguém e a mais nada. Tinha irmão e irmã residentes em cidades distantes, os quais, mesmo sabendo de sua condição, nunca a visitavam. Afinal, ela vivera uma vida inteira de isolamento, com pouco crédito no banco da afeição. Assim, a turma do hospital se tornou a sua fa...

A CONTA ERRADA

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Numa aula, Albert Einstein (1879-1955) escreveu no quadro: 9 x 1 = 09 9 x 2 = 18 9 x 3 = 27 9 x 4 = 36 9 x 5 = 45 9 x 6 = 54 9 x 7 = 63 9 x 8 = 72 9 x 9 = 81 9 x 10 = 91 Em pouco tempo, murmúrios na sala. O grande Einstein errara a última conta. A resposta correta seria 90, não 91. Einstein esperou que todos silenciassem. Então disse: - Sim, verdade; errei a última conta. Apesar de eu ter acertado as nove contas anteriores, ninguém me deu os parabéns. Mas quando errei a última, todos se manifestaram e riram. Na realidade, errei de propósito para passar-lhes uma lição: por mais que qualquer um de vocês tenha muito sucesso na vida, geralmente os outros só irão te notar quando você errar. Poucos estarão ao seu lado pra te elogiar; a maioria estará pronta para apontar o dedo contra você e te julgar! Não permita que a crítica seja um empecilho aos teus sonhos, nem se martirize com tuas faltas; entenda que elas fazem parte do teu processo de amadurecimento. Pois a única pessoa qu...

POR QUE TANTO ÓDIO?

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Encontraram-se pela primeira vez numa viagem de férias, mas pareceu mais um reencontro porque de imediato se sentiram atraídos. Pertenciam a mundos bem diferentes. Ela, britânica, residente em Londres. Ele, um moço dos Emirados Árabes, muito rico e famoso. O namoro foi prato cheio para a imprensa, especialmente por conta da rivalidade entre as famílias dos enamorados. Sete meses de um relacionamento acompanhado pelo público, muitos apostando em algo mais sério. Mas, numa noite, repentinamente, uma tragédia automobilística os surpreendeu, levando a ambos. Foi imensa a dor que se abateu sobre as famílias. Cada uma requisitou o corpo do seu parente e providenciou o funeral, de acordo com sua crença e tradição. Após o período de luto, o pai do rapaz verificou entre os pertences do filho alguns que perteciam, evidentemente, à falecida. Então providenciou para que os objetos fossem encaminhados à família dela, além de uma carta, em que expressava o pesar pela tragédia que ai...

O QUE REALMENTE BASTA

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Dia de feira. Um mendigo perambulava pelas ruas de uma cidade pequena pedindo algo para comer. Todos andavam apressados e nem reparavam no pedinte. Era como se ele fosse invisível. De repente, esbarrou com um homem que o olhou com desprezo e falou: - Seu desastrado, saia da frente! Aqui ninguém te conhece! O mendigo, calmamente, respondeu: - Isso, na verdade, não me importa; eu conheço a mim mesmo e isso me basta. O contrário é que seria para mim intolerável - se todos me conhecessem e eu me ignorasse completamente! Você se conhece bem? A maior tragédia é quando uma pessoa engana-se a si mesma! Conto árabe - adaptação de Marcos Aguiar. 

A FORÇA MAIS PODEROSA

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Ciro, grande soberano dos persas, conquistou o reino da Líbia e aprisionou o rei desse país, juntamente com sua família. Levados à presença de seu conquistador, todos se ajoelharam. A corte de Ciro se reuniu em volta, pois todos sabiam que era a hora da sentença real. Ciro então disse ao monarca líbio: - O que você me daria para eu te conceder a liberdade? - Metade do meu reino, senhor! - E pela liberdade dos teus filhos? O que me daria? - Te daria todo o meu reino! - Então o que você me daria para libertar tua esposa? - Majestade: eu daria a mim mesmo pela liberdade da minha esposa! Ciro ficou tão encantado com a resposta que libertou toda a família sem exigir resgate e ainda permitiu que retornassem a seu país natal. No caminho, o rei líbio abraçou sua mulher e, beijando-a suavemente, perguntou: - Minha querida, você notou como o grande Ciro era garboso e sereno? - Não; não prestei atenção nisso. Durante todo o tempo, meus olhos estavam fixos naquele que estava disposto a...

O TAPA NA CARA

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Sentado à sombra de uma árvore, Buda falava a seus discípulos quando um desconhecido se aproximou e lhe deu um tapa na cara. Buda passou a mão na face e perguntou ao homem: - E agora? O que vai querer dizer? Aquilo desarmou o homem. Ele não esperava essa reação. Sempre que fazia isso, as pessoas ficavam com raiva e reagiam - ou, em alguns casos, sorriam nervosamente. Mas Buda não fizera nem uma coisa nem outra; simplesmente indagou. Os discípulos, contudo, ficaram raivosos. Um deles, Ananda, disse: - Isso foi demais: não podemos tolerar. Mestre, guarde para si os seus ensinamentos; vamos mostrar a este homem que ele não tem o direito de fazer o que fez. Ele precisa ser punido ou, do contrário, todo mundo vai querer imitá-lo. - Fique quieto - repreendeu Buda - Esse homem não me ofendeu, mas você está me ofendendo. Ele é um estranho para mim. Ele pode ter ouvido alguma coisa sobre mim por aí e, com base nisso, formou uma noção equivocada a meu respeito. Ele não bateu em mim; ...

COMPARTILHANDO O QUE SE TEM

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Quando tinha treze anos, Severino saiu de Olho D'água Seco, no sertão de Pernambuco, a fim de morar com um tio na capital, Recife. Um dia, perdeu-se na cidade grande. Sem saber ler, não conseguia encontrar o caminho de volta olhando as placas e os nomes das ruas. "Era como se fosse cego", contou.  Ao chegar finalmente em casa, suplicou ao tio para lhe comprar uma cartilha de alfabetização. Sozinho, aprendeu a ler e escrever. Um ano depois, voltou ao sertão e ensinou à irmã o que sabia. Não era lá muita coisa, mas foi o suficiente.  Posteriormente, Severino improvisou uma escolinha; ao deixar Pernambuco para tentar algo melhor em São Paulo, já tinha alfabetizado mais de 230 conterrâneos. Durante a viagem, ensinou mais doze pessoas a assinarem o próprio nome. "Gosto de passar adiante tudo o que aprendo", disse ele. "Não vou levar nada para o caixão. Então tenho que compartilhar o que sei com quem precisa, senão esse conhecimento morre comigo....

A PROVA DO TEMPO

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No século VI a.C. viveu Creso, rei da Lídia, o homem mais rico de seu tempo. Ele governava com sabedoria, mas também com prepotência. No esplendor de sua glória, certa feita recebeu em seu palácio um dos sete sábios da Grécia - talvez, o maior de todos: Sólon. A fim de exibir todo o seu poder e riqueza, Creso mandou preparar um banquete esplendoroso. Depois, convidou Sólon a visitar as amplas salas dos tesouros reais repletas de pérolas, esmeraldas, diamantes, rubis, estátuas e peças de ouro. Creso, no entanto, observou que seu convidado passeava por entre aquela riqueza imensa com absoluta indiferença.  - Não vês, ó sábio, que sou o homem mais feliz do mundo com tantas riquezas? Sólon, respeitosamente, respondeu: - Meu rei: nunca ninguém poderá se considerar feliz antes de passar pela prova do tempo. É o tempo que se encarrega de dizer se fomos ou não felizes. Ele sempre nos surpreende com o inesperado. Não vos esqueçais, majestade, de que a felicidade está acima de tu...

"O BOM, O DOLOROSO E O INESQUECÍVEL"

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Quando ele tinha cinco anos, sua mãe se despediu dele, na rua. Ela não queria, não sabia como, nem podia cuidar dele. Recordando a intensidade daquele último momento com a mãe, lembra perfeitamente da fisionomia dela, suas roupas e seus lábios escarlates. A partir de então, percorreria um longo caminho sobre pedras, pontes e ruas suburbanas. Cresceu no meio do mundo e aprendeu "o bom, o doloroso e o inesquecível". Contrariando o pensamento corrente de que "as feridas cicatrizam com o tempo”, ele diz que não, que "há feridas que nunca mais serão suturadas e que ficarão abertas e latejantes até à morte". Thomas não tinha horário, nem pais para forçar, nem mãe para ordenar, diferentemente de muitos contemporâneos da mesma faixa etária. Contando estrelas ou encostando o nariz na vitrine de algum restaurante, invejava inocententemente a sorte dos outros, os desafios que não teve e as obrigações que lhe faltaram. Um juiz de paz disse-lhe certa vez q...

RESPONDENDO COM ESPERTEZA

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Nasrudin, conhecido orador, estava sendo esperado em uma cidade. Praticamente toda a população estava reunida na praça para vê-lo discursar. Ao subir o palanque, Nasrudin olhou para o povo e perguntou: - Você sabem sobre o que vou falar hoje? - Não! - responderam todos ao mesmo tempo.  - Se vocês não têm ideia sobre o que vim falar, então me retiro! - e foi embora. Tempos depois, conseguiram convencer Nasrudin a retornar à cidade para falar; mas combinaram que se ele fizesse novamente aquela pergunta, responderiam que sim. - E agora? Vocês sabem sobre o que vou falar hoje? - Sim! Nasrudin então retrucou: - Ora... se já sabem, não preciso falar nada! - e foi embora. Uns dias depois, trouxeram o homem de volta à cidade novamente. Dessa vez combinaram que metade responderia "sim" e a outra metade "não". Ao ouvir a dupla resposta do povo, Nasrudin replicou: - Ótimo! Então a metade que sabe conta para a metade que não sabe!  Nasrudin partiu e nunca mais retor...

DESPEDIDA

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"Vida enfadonha: adeus. Não vejo mais motivos pra insistir. Tudo à minha volta é entediante e perdi o interesse em lutar e a vontade de vencer. Todos estão ocupados com seus problemas e ninguém me dá atenção. Suplico que me ouçam ao menos por um momento, mas sou ignorado. Nunca me senti tão sozinho. Meu coração é um solo no qual só eu piso e que ninguém se interessa em conhecer. Está difícil seguir. Não sei mais quem sou. Estou cheio de sentimentos confusos que se misturam, me deixando sem esperança. A vida se tornou um fardo e estou flertando com a morte. Que adianta sobreviver? Minha dor não tem alívio; não encontro conforto em lugar algum e nenhuma palavra me reanima. Sinto que simplesmente não dá mais..." Esse lamento encontra reflexo em milhões de pessoas; gente de todas as classes sociais, idades, raças e credos. Incontáveis almas desnorteadas perderam a razão de viver e a depressão evoluiu de "mal" para "normal do século". Se de alguma f...