SUA VIDA, SEUS LIMITES
Olhos perdidos no vazio, o garoto tinha o rosto voltado para a vidraça umedecida da janela. Seu pensamento estava longe dali e sua mãe aparentemente percebeu isso. Aproximou-se, afagou-lhe os cabelos com doçura. - Algum problema, filho? - Não é nada, mãe - respondeu, aconchegando-se ao colo dela. Mas a mãe era perspicaz. Sabia que algo não estava certo com seu filhote que ela conhecia muito bem. - Fale, querido, desabafe. Sei que tem alguma coisa te incomodando. Aninhado ao seio materno, o menino confessou, sem levantar os olhos: - Não quero participar da apresentação teatral deste ano. - Por que, filho? Não acha que vai ser legal? Timidamente, ele balançou a cabeça. - É que um dos meus colegas disse que eu nunca vou conseguir decorar todas as falas. A mulher estreitou ainda mais o filho em seus braços. - E você, meu querido? Você concorda com ele? Também acredita que não é capaz de decorar as falas? Levantando a cabeça, fitou os olhos cari...