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DIFÍCIL LIÇÃO

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A doutora Elisabeth Kübler-Ross (1926-2004) ficou conhecida mundialmente por ter tido a ousadia de falar a respeito da morte e do morrer. Num tempo em que alguns países aprovavam leis que permitiam a eutanásia, ela ensinou como se deve aguardar o momento derradeiro da existência.  Após alguns derrames, Elisabeth ficou totalmente à mercê do auxílio alheio. Entretanto, ela afirmava que estava aprendendo as lições da paciência e da resignação, dia após dia. Sofrendo dores constantes e progressiva fraqueza, aguardava ansiosa o momento de sua partida. Dizia ter muitas lições finais a aprender e que, apesar de todo o sofrimento, era contra aqueles que tiram a vida das pessoas de forma prematura, apenas porque elas padecem dores e desconforto. Antes totalmente independente e ativa, ficou limitada a uma cama e uma cadeira de rodas. Perdeu por completo a privacidade, pois pessoas entravam e saíam de seu quarto o tempo todo. Havia dias que sua casa enchia de visitas; em outros, f...

TATO DE MÃE

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Um menino com um papelzinho na mão entrou correndo pela porta do quarto dos pais, ansioso pra que ouvissem seu recém-criado poema. Encontrou-os, todavia, numa discussão acirrada a respeito de um assunto qualquer.  O pequeno ficou ali, ao lado, quase invisível, tentando chamar para si a atenção.  - Pai, mãe, vejam o que escrevi! Repetiu o apelo algumas vezes, falando cada vez mais alto; mas a balbúrdia no aposento tornou-se quase insuportável. Ninguém se entendia e todos queriam ser ouvidos. O pai, repentinamente, já sem paciência, tomou a folha de papel das mãos do garoto, amassou-a com força e gritou:  - Já não disse que agora não posso? E atirou a bolinha de papel na lixeira mais próxima. O pobre menino ficou sem chão e imerso em lágrimas. Mais tarde, a mãe, que não ficara satisfeita com a cena, foi ter com o filho, cheia de compaixão.  Ele havia recuperado sua criação - agora, uma folhinha toda enrugada. Tinha um semblante emocionado e condoído. - Filh...

O BURACO NO CAMINHO

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Um homem caminhava por uma estrada quando, distraído, caiu em um grande buraco. Gritou por ajuda, mas ninguém apareceu. Tentou escalar as paredes do buraco, mas sempre escorregava e caía. Chorou, gritou, xingou, se culpou, culpou a pessoa que cavou o buraco. Depois de muito pensar, ele teve a ideia de fazer uns buracos na parede para apoiar os pés e assim conseguir sair, o que aconteceu após muito esforço, suor, machucados e arranhões.  Semanas depois, o homem precisou passar pelo mesmo lugar e acabou caindo novamente no buraco. Dessa vez, ficou muito irritado por ter cometido o mesmo erro; no entanto, ele já sabia como sair, então não foi tão trabalhoso quanto a primeira vez.  Cerca de dois meses depois, o mesmo homem, entretido, passou por aquele caminho e caiu mais uma vez no bendito buraco. Ele não gritou e nem xingou; apenas fez o que tinha que fazer e saiu. Quase um ano depois, ao passar pela mesma estrada, o sujeito se lembrou das vezes em que havia caído no...

VOCÊ FAZ SEU MUNDO

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  Um jovem viajante chegou a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou: - Que tipo de pessoa vive neste lugar? O ancião respondeu com outra pergunta: - Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem? - Oh, muitos egoístas e malvados! – replicou o rapaz – Estou até aliviado por ter saído de lá! - Bem, a mesma coisa você encontrará por aqui! –replicou o velho. Naquele mesmo dia, um outro nômade chegou à aldeia e encontrou o mesmo ancião. - Senhor, pode me informar que tipo de pessoas vive aqui? - Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem? O moço respondeu: - Ah, ótimas pessoas - amigas, honestas, hospitaleiras. Saí de lá, mas com muito pesar por ter saído. - Bem. O mesmo você encontrará por aqui - disse o ancião. Um aldeão que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho: - Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta? O idoso então explicou: - Cada um carrega no seu coração o ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de ...

SEU GRANDE VALOR

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Um caracol se sentia muito infeliz. Via que quase todos os animais eram mais ágeis que ele. Uns brincavam, corriam e saltavam, enquanto que ele vivia aborrecido sob o peso de sua carapaça. Amigos e familiares tentavam, sem sucesso, animá-lo. - Caracol, pensa um pouco: se a natureza te deu essa carapaça, foi para algum propósito - ponderou a tartaruga, cuja situação era semelhante à do amigo. - Sim; mas pode explicar-me a razão? - rebatia o caracol com amargura. Seu pessimismo chegou a tal ponto que todos o abandonaram. E ele seguia vagarosamente seu caminho com a "carga" às costas, parecendo-lhe mais pesada do que realmente era. Um dia, desabou uma tempestade que se estendeu por muito tempo e as águas subiram, inundando tudo. Praticamente todos os bichos da mata agora estavam em apuros. O caracol, porém, encontrou um refúgio seguro - dentro da própria carapaça! A partir dali, o caracol passou a compreender a utilidade de seu teto natural. Abandonou o hábito de rec...

O SEGREDO DAS CRIANÇAS FELIZES

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Ao final da Segunda Grande Guerra, em 1945, a Europa estava em ruínas. Entre muitos problemas, havia o cuidado de centenas de órfãos, cujos pais foram mortos ou desapareceram na guerra. A Suíça, que permanecera neutra durante o conflito, enviou alguns dos seus profissionais de saúde para ajudar a solucionar a delicada questão.  Um dos médicos, visando pesquisar a melhor forma de cuidar dos bebês órfãos, viajou pela Europa. Visitou muitos locais onde tais crianças eram assistidas. Ele presenciou situações extremas. Em alguns lugares, onde campos hospitalares americanos foram montados, bebês eram colocados em berços limpos, em enfermarias higienizadas e alimentados em horários regulares por enfermeiras uniformizadas - com todo rigor de higiene e cuidados possíveis. Em outra ponta, numa remota vila das montanhas, um caminhão simplesmente encostou e o motorista perguntou: - Vocês podem cuidar destes bebês? E largou quase cinquenta crianças chorando, aos cuidados dos morador...

OS MELHORES TESOUROS

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Um rei muito benquisto por seu povo, ao perceber que estava envelhecendo, resolveu decidir qual dos seus filhos iria herdar seu trono. Decisão difícil, pois todos tinham bom coração e eram igualmente dignos de receber a coroa. Depois de muito pensar numa forma de não ser injusto, o rei teve uma ideia. Mandou chamar os três: - Meus filhos! Já estou velho e em breve não terei mais forças para governar. Vocês todos são maravilhosos e sei que qualquer um de vocês seria um ótimo rei. Como não posso coroar os três mas apenas um, o melhor jeito que encontrei para escolher um de vocês é dar-lhes um desafio: saiam agora e me tragam aquilo que vocês julgarem representar melhor o nosso reino. Vocês têm até a hora do jantar para me trazer isso. Eu julgarei qual seja o símbolo mais apropriado. Os príncipes, então, saíram em busca do que o pai lhes pediu. Um deles decidiu procurar dentro do próprio castelo - num cofre onde estavam guardados os maiores tesouros do reino. O segundo, por su...