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Mostrando postagens de junho, 2026

MEMÓRIAS PRECIOSAS

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Laís e Clara chegaram eufóricas à casa da vovó, com suas mochilas quase explodindo com tantas coisas - roupas, travesseiros, mantas coloridas e brinquedos; enorme bagagem pra tão pouco tempo. - A gente trouxe tudo o que precisamos, vó! A avó não deixou por menos. Estendeu um colchão grande no assoalho da sala, rodeado de almofadas, como se fossem paredes de uma cabana em plena floresta. Nesse espaço, avó e netas compartilharam momentos agradáveis. Houve leitura de estórias, simulação de piquenique, teatrinho e outros passatempos. Ninguém sabia quem estava mais feliz: a avó que recebia as netas ou elas que visitavam a avó. No entanto, houve um momento que superou os folguedos e guerras de almofadas e travesseiros. Foi quando a avó começou a relatar fatos da vida da mãe das meninas, da época em que essa tinha mais ou menos a idade delas. A curiosidade cresceu. Perguntas se sucediam umas às outras, quase sem cessar. Histórias da família e da escola, travessuras, peraltices - t...

TSE E YUNG

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Certa vez, numa pequena vila, nasceram dois meninos de famílias diferentes, no mesmo dia e horário e, para surpresa de todos, ambos nasceram com um grande nódulo na testa. Um dos bebês recebeu o nome de Tse e seus parentes eram muito arrogantes. Horrorizados com a aparência do menino, chamaram um médico para remover o nódulo, mas como o procedimento se mostrou arriscado, decidiram criar o garoto às escondidas. O outro menino foi chamado de Yung e sua família era amorosa e humilde. Cercavam Yung com todo amor e carinho possível, pois não queriam que ele se sentisse envergonhado ou rejeitado por causa do nódulo.  Passou o tempo e os meninos cresceram. Tse se tornou um rapaz cheio de complexos, sentia-se inferior e não conseguia evoluir em coisa alguma. Além disso, vivia amargurado e detestava conviver com outras pessoas. Já Yung era um mancebo feliz e, mesmo diante de comentários maldosos, ele nunca se importava, pois se sentia amado e protegido por sua família. Yung era ...

A PEDRA MÁGICA

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Muito tempo atrás, um alquimista criou o que chamou de "pedra filosofal" - uma pedra mágica capaz de transformar qualquer metal em ouro. No entanto, após enriquecer bastante com o uso da pedra, decidiu lançá-la do alto de uma montanha, pois não estava mais interessado em fazer dinheiro.  Anos se passaram e a pedra filosofal virou lenda. Muitos tentaram encontrá-la, sem sucesso. Até que, um dia, um homem apático e solitário resolveu procurar a tal pedra. Achou que pudesse preencher o próprio vazio com a procura. Assim, passou a ficar obcecado na busca, não pensando em mais nada. Acampado ao pé da montanha, todos os dias ele recolhia pedras, encostava uma a uma na fivela de seu cinto, na esperança de transformar o metal em ouro. Diariamente, durante anos, testou incontáveis pedras em vão. Uma vez, num dia de muito calor, resolveu tirar um cochilo à sombra de um salgueiro. Ao acordar, percebeu um brilho diferente na fivela do cinto: ela tinha se transformado em ouro!...

VERDADEIROS REIS

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Certa vez, numa pequena aldeia, chegou um caçador errante. Dirigindo-se a um camponês, perguntou: - Você sabe o caminho para Gondar? - Sei sim, senhor, mas já está anoitecendo e Gondar fica a um dia de distância daqui. Então sugiro que pernoite em minha casa e amanhã cedo poderá partir. O homem aceitou o convite alegremente. O camponês preparou-lhe uma de suas poucas galinhas para o jantar e lhe ofereceu o seu leito, indo dormir no chão. No dia seguinte, antes de sair, o caçador disse: - Já que você sabe o caminho para Gondar, poderia me acompanhar até lá pra que eu não me perca novamente? - Tudo bem, irei com o senhor, mas com uma condição: chegando lá, quero que me mostre o rei, pois nunca o vi. - Combinado. Você o verá. Assim partiram, ambos montados no cavalo do caçador. Passaram por montanhas e bosques, durante um dia e uma noite inteira de viagem. Chegando a Gondar, o camponês indagou: - Como vou saber quem é o rei? - Muito simples: quando todo mundo fizer algo, o rei...

A XÍCARA DE CHÁ

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Havia um mosteiro no alto de uma montanha, onde vivia um grande mestre procurado por muitas pessoas sedentas de conselhos. Certo homem, ouvindo falar do sábio, decidiu ir conhecê-lo. Cruzou o país inteiro até chegar ao mosteiro e foi recebido pelo próprio mestre que o convidou para um chá. Sentaram-se e o mestre preparou as xícaras. O homem estava tão entusiasmado com o encontro que não parava de falar um único minuto; contou ao grande mestre sobre suas peregrinações, os livros que havia lido e tudo que havia aprendido. Falou o quanto era inteligente e até recitou frases de grandes pensadores. Enquanto isso, o mestre ia calmamente tomando o seu chá. Ao terminar de beber sua xícara, encheu-a novamente e começou a encher também a xícara do visitante, que não parava de falar. Daí a xícara transbordou, encharcando a mesa e escorrendo chá em abundância pelo chão.  O hóspede, surpreso e contrariado, gritou: - Pare! Não vê que está molhando tudo? Só então o mestre, serenamente...

DE ONDE VEM A CHUVA?

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Fazia tempo que não chovia na roça, de maneira que os animais começaram a ficar inquietos. Uns diziam que ia chover logo; outros achavam que ainda ia demorar; mas não chegavam a um consenso. - Só chove quando cai água do teto do meu galinheiro! - comentou a galinha. - Ora, que bobagem! - retrucou o sapo de dentro da lagoa - Chove quando a água aqui começa a borbulhar! - Mas como assim? - replicou a lebre - Está visto que chove quando as folhas das árvores começam a gotejar a água que têm dentro! Nesse momento, começou a chover. - Viram? - gritou a galinha - O teto do meu galinheiro está pingando. Isso é chuva! - Ora, não vê que a chuva é a água da lagoa borbulhando? - argumentou o sapo. - Nada disso! - retornou a lebre - Estão cegos? Não vêem que a água cai das folhas das árvores? Cada animal achava saber de onde vinha a chuva mas, na realidade, nenhum deles tinha o conhecimento, apenas opiniões. E opiniões não costumam se solidificar em fatos. Texto de Mi...

O PODER DA DOÇURA

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Um viajante seguia pela estrada quando observou um pequeno rio que começava quase insignificante por entre as pedras. Acompanhando o curso do rio por um bom tempo, notou que ele ia gradativamente se avolumando. Mais adiante, o que mais parecia um córrego se desdobrava agora em dezenas de cachoeiras, num espetáculo de águas cantantes. A música das águas enfeitiçou o andarilho, que se aproximou e foi descendo pelas pedras, ao lado de uma das cachoeiras. Descobriu, com surpresa, uma gruta, criada pela natureza com formas caprichosas. O homem entrou, impressionado com o aspecto das pedras gastas pelo tempo. De repente, descobriu uma placa. Alguém, obviamente, estivera ali antes dele. Com o auxílio da lanterna, leu a inscrição da placa. Consistia em versos do escritor Tagore, prêmio Nobel de literatura de 1913: "Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, dança e canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir."...

O ACORDO COM A MORTE

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Depois de muito trabalho em uma intensa guerra, a morte estava exausta e sua foice cega. O estado da ferramenta a incapacitava de ceifar mais vidas. Como não podia interromper sua tarefa, foi ter com um ferreiro a fim de que ele afiasse sua foice. O coitado, assim que avistou a morte, levou um grande susto, imaginando que sua hora era chegada. Mas logo a morte o tranquilizou, explicando o motivo de sua visita. - Está bem, farei o que me pede, mas com uma condição: quando você vier me buscar, me avise com antecedência, pra que eu deixe minha vida em ordem. A morte concordou, sua foice foi afiada e ela se foi. Finalmente, muitos anos depois, a morte voltou, disposta a levar o ferreiro, que demonstrou surpresa e indignação.  - Mas como assim? Não recorda o nosso trato? Que me avisaria com antecedência? - Mas eu lhe avisei, e muitas vezes! - retrucou a morte - Seus cabelos brancos e rugas, a perda de agilidade e força, o enfraquecimento da visão e audição... de que mais voc...