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Mostrando postagens de maio, 2024

MUNDO PEQUENO

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Uma rã morava no fundo de um poço abandonado. Ali era seu único lugar no mundo; só conseguia movimentar-se naquele limitado espaço e nunca saía de lá. Além daquilo, tudo o que a rã via era apenas um pequeno pedaço do céu. Não conhecia absolutamente nada lá fora. Certo dia, uma tartaruga marinha apareceu à beira do poço e a rã, lá do fundo, gritou-lhe: - Veja, amiga tartaruga, quão lindo e confortável é o meu mundo! Aqui, salto livremente e descanso num buraco da parede sempre que quero. Se desejo nadar, aqui tem água à vontade. Passear aqui neste local úmido é uma verdadeira delícia! Garanto que você jamais teve uma vida tão feliz como esta! Venha ver o meu paraíso! Curiosa, a tartaruga chegou um pouco mais perto. Porém, mal viu o "paraíso" da rã, recuou: - Quer saber, rã? O meu mundo, o mar, é tão imenso com milhares de quilômetros de extensão e milhares de braças de profundidade, que simplesmente não consigo descrevê-lo! Quanto mais o percorro, mais há para se e...

DEIXANDO LIVRE

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Todo santo dia, um passarinho visitava a janela de um menino chamado José. Ele sempre acordava cedinho com o canto do pássaro. Então, certa vez, José decidiu capturar o passarinho, prendendo-o numa gaiola. Todo contente, foi logo mostrar à irmã Maria sua mais nova aquisição.  Maria ficou visivelmente desapontada com a atitude do irmão e fê-lo sentar-se.  - Vou te contar uma história - disse-lhe.  E continuou: - Uma vez, um menino apanhou um passarinho, assim como você, e o prendeu na gaiola. O passarinho, que antes cantava todos os dias, passou a ficar em silêncio, de tão entristecido. Certa noite, o menino teve um sonho em que o passarinho dizia para ele: “Por que me traiu dessa maneira? Todos os dias eu alegrava o seu dia com o meu canto e você me aprisionou de maneira cruel. Agora vivo triste; não quero cantar e nem comer, sinto falta de meus amigos e não posso mais voar!" Quando o menino acordou, correu para a gaiola a fim de soltar o passarinho, mas ele h...

AS COISAS "FALAM"

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Estavam casados há anos. Nádia era amorosa e dedicada, empenhando-se em manter a casa no mais perfeito equilíbrio. Apreciava as coisas em seus lugares corretos, evitando bagunça e desarranjos. Seu marido, entretanto, costumava deixar tudo fora do lugar. Quando precisava de algo, era uma verdadeira balbúrdia, porque perdia um tempo enorme procurando. Ao sair, não recordava onde deixara as chaves. Na hora do banho, não lembrava onde havia largado a toalha, e assim por diante. Nádia pedia com delicadeza que procurasse dar a cada coisa seu devido lugar, resguardando-se, assim, do estresse, mas ele simplesmente não lhe dava ouvidos. Então, certo noite, ao jantar, quando o esposo lhe perguntou como fora seu dia, Nádia respondeu: - Foi maravilhoso! Passei as horas a conversar com as coisas. - Com as coisas? Que coisas? Ficou louca? - Não! - continuou ela, sorrindo - Estou muito bem. Acontece que cada coisa que eu recolhia falava comigo. Por exemplo, o chinelo me disse que estava t...

MAGIA DA POESIA

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Um velho poeta, apesar de ter escrito a vida toda, não lograra êxito com seus poemas. Por isso, vivia melancólico e recluso. Certo dia, enquanto desabava um forte temporal e ele se aquecia ao lado da sua lareira, de repente ouviu um grito do lado de fora da porta: - Por favor, me deixe entrar! Me ajude! Ao abrir a porta, o poeta se assustou um pouco: era um menino despido e tremendo de frio. Rapidamente o fez entrar, enrolou-o com uma manta e lhe preparou um leite bem quente. Em meio à urgência, o dono da casa não deixou de reparar na beleza encantadora do menino: era gordinho, bochechas fofas, olhos grandes, cílios compridos e cabelos cacheados que possuíam um brilho natural. Na mão, um pequeno arco.  - Qual o seu nome? - indagou o poeta. - Me chamo Amor! Nesse momento, o menino puxou o arco e uma flecha brilhante surgiu; e, inesperadamente, atirou a flecha no coração do poeta. Em seguida, o menino sorriu e desapareceu. A partir da estranha experiência, tudo em volta d...

CUIDANDO DO DESTINO

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Muito tempo atrás, morava numa floresta, na Índia, um monge capaz de prever o futuro. Muita gente o procurava para ouvir suas previsões. Até que um dia, cansado daquilo, o monge passou a viver escondido em uma caverna, buscando sossego. Uns anos mais tarde, dois amigos se perderam na mata e foram parar na caverna onde o monge vivia. Ele os recebeu e os alimentou e assim pernoitaram ali. Conhecedores da fama do monge, resolveram aproveitar a oportunidade, pedindo-lhe que lhes revelasse o futuro deles. - Está bem - respondeu o monge. E disse a um deles: - Daqui a um ano você será o rei desta terra. E para o outro falou: - Daqui a um ano você será assassinado. No dia seguinte bem cedo os dois foram embora - um imensamente feliz e o outro desesperado. O que viria a ser rei se tornou arrogante e irresponsável; o que iria morrer se pôs a repensar sobre a sua vida e decidiu ser uma pessoa melhor dali em diante. Um ano se passou e os dois se reencontraram e decidiram fazer um passe...

OS TRÊS IGUAIS

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Certa vez, na antiga cidade de El-Katif, apareceu um estrangeiro misterioso - um mago persa. Comentava-se que ele se fazia acompanhar de três homens tão rigorosamente idênticos, que não se podia descobrir um único traço fisionômico que permitisse distinguir um dos tais homens dos outros dois. A notícia chegou aos ouvidos do rei Fahad que, muito curioso, declarou que queria conhecê-los.  Assim o rei, acompanhado de seu séquito, dirigiu-se à tenda erguida pelo mago numa àrea erma, próxima à cidade. Recebido com reverência, o rei afirmou incisivamente que desejava ver de imediato os três homens iguais. Estando todos sentados confortavelmente no interior da tenda, o mago bateu palmas e pronunciou palavras de um idioma desconhecido.  No fundo da tenda, sobre um tablado, ergueu-se um pano, surgindo um homem magro e moreno, trajado adequadamente à maneira dos mercadores persas. - Eis, aí, ó rei magnânimo, o primeiro dos três homens! - disse o mago. Pouco depois, o homem r...

VALIOSO QUILO DE FARINHA

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O renomado astro indiano Aamir Khan (1965-), comovido com a dificuldade de seus compatriotas, resolveu fazer algo inusitado por eles. Providenciou, do próprio bolso, grande quantidade de farinha para os pobres - isto é, um quilo de farinha para cada um. Entretanto, muitos dos contemplados acharam que não valeria a pena se deslocarem para o local de distribuição do alimento, considerando aquilo uma insignificância e perda de tempo. Afinal, era apenas um quilo de farinha! Mas aqueles que de fato sentiram necessidade compareceram, pois, para eles, a farinha significava muito e não poderiam desperdiçar a oportunidade. Essas pessoas, ao chegarem em suas casas e abrindo os pacotes, descobriram um conteúdo inesperado: a importância de 15.000 rúpias (cerca de R$ 1.000,00)! Dessa forma, a ajuda e o socorro chegaram aos que realmente precisavam e estavam cônscios da própria carência.  Autoria anônima - adaptação de Marcos Aguiar. 

COMPROMETIDOS ATÉ À MORTE

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Quando o Titanic afundou na sua viagem inaugural em 1912, levava muitos passageiros ilustres - entre eles, o magnata judeu John Jacob Astor IV. Sua fortuna era mais que suficiente para construir 30 transatlânticos como o Titanic. Todavia, diante de um perigo mortal, Jacob escolheu o que considerava moralmente correto e abriu mão de seu lugar num bote salva-vidas em favor de duas crianças assustadas. Outro milionário, Isidor Straus, co-proprietário da gigante rede americana de armazéns "Macy's", declarou, em meio ao desastre inevitável: - Não entrarei em um salva-vidas antes dos outros homens! Sua esposa, Ida Straus, também se recusou a embarcar no bote, cedendo seu lugar à sua recém-nomeada criada, Ellen Bird. Decidiu passar seus últimos momentos de vida com o marido. Essas nobres pessoas preferiram abdicar de suas riquezas e mesmo de suas vidas a comprometer seus princípios. Sua nobre escolha, selada com as gélidas águas do Atlântico onde submergiram, atesta ...