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Mostrando postagens de abril, 2026

VOCÊ PODE!

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Numa tarde nublada na Alemanha, dois meninos patinavam num lago congelado, brincando despreocupados. De repente, o gelo se quebrou e um deles caiu, ficando preso na fenda que se formou. O outro, rapidamente, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com toda força, conseguindo por fim quebrá-lo e salvar o amigo. Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao pequeno herói: - Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis! Nesse instante um senhor, que passava pelo local, comentou: - Eu sei como ele conseguiu. Todos perguntaram: - Pode nos dizer como? - Simples! - respondeu o homem - Não havia ninguém ao seu redor para lhe dizer que não seria capaz! Você até pode estar rodeado de pessoas que não acreditam no teu potencial, mas não precisa dar ouvido a elas.  Se você sabe que pode, então vá em frente! Autoria desconhecida - adaptação de Marcos Agui...

AMIZADE IDEAL

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Um cacto vivia solitariamente numa região árida e remota. Um dia, um balão colorido escapou de uma festa de aniversário, saiu flutuando pelos ares, vindo parar no deserto e seu barbante se enroscou no cacto. Os dois começaram a conversar e, de imediato, tornaram-se amigos. Deram-se conta de que se sentiam solitários e que a interação os agradava. O cacto estava feliz em ter um amigo tão divertido e não podia mais imaginar a vida sem ele. Sempre pedia ao balão para se aproximar mais, a fim de conversarem mais de perto, mas o balão receava os espinhos do cacto. O cacto então ficou triste, achando uma falta de consideração do amigo em não se aproximar. Julgou o balão sensível demais. Com o tempo os dois foram ficando cada vez mais desconfortáveis. Então, um dia, o balão decidiu se elevar para conhecer novos lugares, mas o cacto o segurou tão forte que ele não conseguia se soltar. O balão se abriu para o cacto. Confessou como se sentia e disse que precisava de espaço para que a...

O QUE VOCÊ VAI FAZER?

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João era um conceituado empresário que morava numa luxuosa cobertura, na zona nobre da cidade. Pela manhã, após o café com a família, dirigiu-se a uma de suas empresas para cumprir sua agenda corrida. Durante o dia, soube de seu contador que o faturamento mensal superara a meta; assim mandou anunciar um bônus salarial a todos os colaboradores naquele mês. Ao final da tarde, estava agendado para dar uma palestra motivacional, no auditório da empresa. Ele era de fato um homem bem sucedido, por isso seus negócios iam de vento em popa. Enquanto isso, num bairro pobre da mesma cidade, um desocupado chamado Mário enchia a cara no boteco. Sem trabalho e sem família, morava de favor no quarto dos fundos de uma pensão. Nessa tarde ele bebeu demais, causou confusão e foi expulso do bar. Estava tão bêbado que se estirou na calçada. Um conhecido ficou com pena dele e o carregou até à pensão. Passado o efeito do álcool, o amigo perguntou: - Mário, por que você vive assim? - So...

A DESCARADA

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Na época em que os bichos falavam, a barata e a galinha eram vizinhas e muito amigas. Faziam tudo juntas - passeavam, comiam e dormiam lado a lado. Um dia, o rei leão resolveu distribuir vários lotes, um para cada animal, a fim de que cuidassem da terra. Coincidentemente, a barata e a galinha ganharam seus lotes uma ao lado da outra e ficaram muito contentes, pois continuariam trabalhando juntas. Aí a barata falou: - Minha amiga galinha, eu tive uma ideia! Como o trabalho na terra é tão pesado, que tal trabalharmos primeiro no meu lote e, quando estiver tudo pronto, trabalhamos no seu? - Está bem, barata, faremos isso. E assim a galinha ajudou a barata no lote dela. Plantaram inhame, mandioca, amendoim e muitos legumes. Quando o trabalho acabou, a galinha disse: - Amanhã começamos a trabalhar na minha terra! - Combinado, amiga! Entretanto, no dia seguinte, a barata não compareceu. A galinha, preocupada, foi procurá-la. - O que aconteceu, barata?   - Ah, galinha, am...

MANEKI NEKO

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Certa vez, num monastério budista, apareceu um gatinho machucado. Os monges cuidaram do pequenino, o alimentaram e curaram suas feridas. Em pouco tempo o gatinho se recuperou e foi crescendo. Mas o apetite do animal parecia não ter fim: vivia assaltando os pratos dos monges, mesmo depois de ter se alimentado. Irritados com o comportamento do gato, passaram a colocá-lo do lado de fora do monastério na hora das refeições. Num desses dias, o gato estava do lado de fora, lambendo a patinha, aguardando que o deixassem entrar. Repentinamente começou a chover e um samurai que ia passando foi se abrigar embaixo de uma árvore que ficava diante do monastério. Observando o gato lamber a patinha, por um momento o homem achou que o animal o chamava. Quando ele se aproximou do gato, um raio atingiu a árvore sob a qual estivera há pouco. O samurai compreendeu que fora salvo pelo gesto do gatinho. Assim, em gratidão, o samurai se tornou benfeitor do monastério. Quando, tempos mais tarde, o...

O VALENTÃO FROUXO

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Certa manhã, um pastor notou, enfurecido, a falta de várias de suas ovelhas. Pegou a espingarda e partiu para a floresta. - Raios me partam se eu não trouxer, vivo ou morto, o miserável que roubou minhas ovelhas! Ele vai ver quando eu o encontrar! Vou arrancar-lhe o fígado… E assim, furioso e resmungando palavrões, passou longas horas no encalço do ladrão, sem encontrá-lo.  Por fim, esgotado, apelou para os céus: - Ajude-me, santo Antônio! Prometo-lhe vinte reses se colocar aqui, na minha frente, o miserável bandido! Nem bem o pastorzinho disse aquilo, surgiu diante dele um enorme leão com os dentes arreganhados. O homem ficou pálido e trêmulo; a espingarda caiu-lhe das mãos; e tudo o que pôde fazer foi invocar novamente o santo: - Valei-me, santo Antônio! Prometi vinte reses se colocasse o ladrão diante de mim; prometo agora o rebanho inteiro para que o façais desaparecer! No momento do perigo é que se conhecem os heróis. Conto de Monteiro Lobato - adaptação de Marcos ...

RECONHECIMENTO E GRATIDÃO

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Durante a guerra da independência, os Estados Unidos tiveram a ajuda de um nobre francês, Lafayette, que logo se tornou amigo de George Washington. Ele tinha apenas 19 anos quando deixou seu país para lutar ao lado dos americanos. Ao chegar à América, teria dito que estava ali para aprender, não para ensinar. E, posteriormente, deu a seu filho o nome de Washington, em nome de sua amizade com George. Décadas depois, em 1824, Lafayette visitou cada estado e território da União, recebendo muitas honrarias e homenagens em sucessivas recepções, bailes e jantares. Num desses eventos, havia, na fila de convidados para saudar o nobre e idoso francês, um soldado vestido com um uniforme rasgado. Carregava um mosquete e, ao ombro, um pedaço de cobertor. Chegando sua vez, diante de Lafayette, o veterano bateu continência. - Sabe quem eu sou? - Na verdade não posso dizer que sim - respondeu Lafayette com franqueza. - Pois vou lhe avivar a memória, general. Numa noite gélida, enquanto fa...

"ESTÁ TUDO BEM"

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Manhã de outono em uma cidade do sul do país. Pai e filha acordam cedo e se preparam pra sair. O cenário em casa é o de sempre. Mas a menina percebe que há algo diferente lá fora - algo que ela nunca havia notado antes. - Pai... o que é isso? - indagou, um pouco receosa. A mesa do café dá para uma ampla janela. A garota estava habituada a vislumbrar as árvores frondosas e toda a natureza verdejante do seu quintal. Mas, naquela manhã, tudo estava estranho: o quintal havia desaparecido e parecia que as nuvens estavam encostadas na janela. O pai, apesar de acostumado ao fenômeno, ainda se encantava com ele; por isso respondeu com tranquilidade: - Filha, não se preocupe. Está tudo bem. A floresta continua no mesmo lugar, assim como as árvores e os passarinhos. O sol está ali atrás; logo mais ele aparece. O que você vê são apenas nuvens bem baixinhas que surgiram durante a madrugada, mas que logo desaparecerão. Aliás, você sabia que quando o dia amanhece assim signific...

OS INGRATOS

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Dois viajantes, cansados de uma longa caminhada, pararam por volta do meio-dia pra descansar à sombra de uma frondosa árvore. Sentaram-se, comeram, se refrescaram com o vento gostoso e até dormiram um pouco. Quando decidiram seguir viagem, um deles indagou: - Que árvore é esta? - É um plátano e não serve para absolutamente nada! Não produz nenhum fruto e ainda espalha um monte de folhas pelo solo! - Tem razão: ela é inútil mesmo! Certas pessoas são tão ingratas que, mesmo depois de desfrutarem da bondade alheia, além de não agradecer, menosprezam seus benfeitores! Fábula de Esopo (620 - 564 a.C.) - adaptação de Marcos Aguiar. 

AMOR PRÓPRIO É TUDO!

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Certo rei estava procurando uma esposa mas, apesar de tantas candidatas formosas e prendadas, nenhuma atendia às suas expectativas. Então, um dia, uma pedinte conseguiu a muito custo uma audiência com o soberano. Ela disse: - Majestade, nada tenho para lhe oferecer, com exceção do meu amor. Com sua permissão, farei algo para provar que o amo. Isso despertou a curiosidade do rei. - Então diga, querida. - Durante cem dias, pernanecerei em sua varanda, exposta ao sol e à chuva, comendo e bebendo o mínimo necessário. Se eu sobreviver a isso, então o senhor me tornará sua esposa. O rei, mais surpreendido que comovido, concordou, dizendo: - Se uma mulher é capaz de fazer tudo isso por mim, é digna de ser minha esposa! E assim a mulher se submeteu ao desafio. Os dias passavam e ela parecia suportar tudo corajosamente. Muitas vezes sentia-se desfalecer de fome e de frio, mas animava-se com o pensamento de estar em breve ao lado do seu grande amor. De vez em quando, ...

INVEJA MALDITA

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Havia um monge que viajava de aldeia em aldeia, ensinando e fazendo o bem. Numa de suas andanças, chegou, à noite, a uma região montanhosa. Fazia muito frio, então ele entrou numa caverna, atraído pelo clarão de uma fogueira, e deparou-se com um mancebo que se aquecia ao fogo. O moço, gentilmente, convidou o monge a se aproximar da fogueira e lhe ofereceu o próprio leito - uma espessa pele de urso. O monge agradeceu a gentileza e se deitou. No dia seguinte, pronto pra seguir viagem, o monge desejou agradecer ao moço pela hospitalidade. Apontou o dedo para uma pequena pedra, que imediatamente se transformou numa pepita de ouro. - Meu jovem, aceite este presente; é meu agradecimento à sua bondade! O rapaz, entretanto, parecia triste. O monge pensou um pouco e, apontando para um outeiro à frente, fez com que ele também se tornasse em ouro! - Aí está, meu rapaz! Expresso minha gratidão a você com mais este montão de ouro. Mas o jovem continuava calado e triste. - Meu filho, afi...

MISTÉRIO DO SONO

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Manhã. A mulher despertou ansiosa por contar ao marido a experiência que tivera na noite anterior. Estavam fisicamente separados por cerca de cinco dias, em cidades diferentes, e a saudade batia forte. Há mais de trinta anos que dividiam a mesma cama e qualquer breve separação afetava a ambos. Ao telefone, a esposa revelou que na noite anterior tivera uma sensação muito especial. Deitada, nos primeiros instantes do sono, sentira o perfume do esposo, como se ele tivesse acabado de sair do banho e se colocado ao seu lado, como sempre o fazia em casa. Além do aroma agradável, percebeu uma presença muito forte, como se de fato ele estivesse ali. Ela virou-se rapidamente, mas não havia ninguém. O homem, do outro lado da linha, ouvia a esposa com emoção. Quando ela terminou, foi a vez dele narrar: - Também vivi uma experiência singular nesta noite. Na madrugada, acordei convicto de que você estava dormindo ao meu lado. Mas quando olhei para o seu lugar na cama, só vazio... Pausa....

A CABAÇA

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Um andarilho, certa vez, teve a ideia de reunir todo o bom senso do mundo em uma cabaça. Poderia distribuir conselhos em troca de dinheiro e ficaria rico. Ele então saiu pelo mundo, conhecendo e conversando com muitas pessoas e, assim, recolhendo todo o bom senso que encontrava. Quando deu fé, estava com a cabaça cheia. Ao voltar para casa, achou melhor esconder a cabaça no alto de uma árvore em seu quintal. Amarrou uma corda no gargalo da cabaça, com a outra ponta no pescoço e começou a escalar a árvore, porém com dificuldade, porque a cabaça ficava balançando pra lá e pra cá. Um menino que ia passando pela rua percebeu o homem trepado à árvore e começou a rir da situação.  Irritado, o andarilho disse: - Por que está rindo, menino? - É porque você é muito bobo; por que não coloca a cabaça nas costas? O andarilho percebeu que, mesmo possuindo tanto bom senso, ainda fazia bobagens. Entendeu que é impossível a uma única pessoa ser dona de todo o bom senso e que ocultá-lo ...

CONHEÇA-SE!

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Duas amigas cinquentonas passeavam numa avenida e conversavam sobre o clima de insegurança crescente na cidade. Uma delas comentou que se um dia fosse assaltada ficaria petrificada e sem forças para qualquer atitude. Tinha pavor só em pensar nisso. - Pois eu não! - retrucou a outra com energia - Se for preciso eu brigo, mas não deixo barato! Coincidentemente, enquanto falavam sobre isso, surgiu de repente um rapazinho que, à queima-roupa, furtou a bolsa daquela que disse que reagiria. Abalada com a surpresa do momento, ficou inerte, suando frio. Mas a outra, surpreendentemente, saiu correndo atrás do pivete, conseguindo atingi-lo com uma formidável bolsada nas costas. - Solta a bolsa, moleque! Assustado, o ladrão largou a bolsa e se mandou! Ambas as mulheres desconheciam as próprias tendências, pois reagiram ao contrário daquilo que diziam. E você? Se conhece? Autoria desconhecida - adaptação de Marcos Aguiar.

SEMENTES DE PAZ

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Em 2004, o prêmio Nobel da Paz foi entregue a Wangari Muta Maathai (1940-2011), a primeira africana e ambientalista a conquistar a premiação.  Ela foi, de fato, uma colecionadora de títulos inusitados. Ainda jovem, teve a chance de concluir os estudos fora de seu país, formando-se em biologia e fazendo mestrado nos Estados Unidos. De volta para o Quênia, tornou-se a primeira mulher a coordenar um departamento na universidade de Nairóbi. Suplantando o preconceito dos colegas (todos homens), dirigiu a faculdade de medicina veterinária, onde alcançou o título de PHD, até então inedito para uma africana. Já em 1977, Maathai chamou a atenção do mundo ao criar o Movimento Cinturão Verde. O objetivo era audacioso: recrutar mulheres negras e pobres para reflorestar o país. O Quênia sofria com o acelerado desflorestamento causado pela demanda de lenha no país, carente de infraestrutura energética. Sua extraordinária empreitada conseguiu reverter o processo de destruição das área...

NA BASE DO GRITO

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Conta-se que nas Ilhas Salomão, no Pacífico Sul, os nativos descobriram um jeito inusitado de derrubar árvores. Se algum tronco é grosso demais para ser abatido com seus machados, eles o derrubam no grito. Isso mesmo que você leu: NO GRITO. Lenhadores escalam a árvore toda manhã, bem cedinho, e se põem a gritar.  Repetem o ritual durante trinta dias. A árvore morre e cai por terra. Segundo os nativos, o método nunca falha e a explicação é que, gritando, eles matam o espírito da árvore. Os civilizados logo pensam que se eles dispusessem de tecnologia moderna, poderiam simplesmente derrubar a árvore com máquinas potentes e de forma mais prática. Entretanto, essa técnica primitiva nos leva a pensar em como ainda utilizamos o grito em nossas vidas. Se os nativos das Ilhas Salomão descobriram que as árvores são sensíveis aos gritos, que dizer dos seres humanos? Nos relacionamentos, o modo de falar desempenha papel crucial. Com gritos, perturbamos ambientes e pessoas. Com pal...

VOAR OU NÃO VOAR?

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Um bando de gansos se reunia todo domingo no quintal, em torno de uma gamela. Um deles, o “pregador”, subia com dificuldade a barra mais alta da cerca e exortava os demais, enaltecendo "as glórias da gansidade”. Destacava como era maravilhoso ser um ganso e não uma pobre galinha ou um peru gordo. Lembrava aos companheiros a sua grande herança e os encorajava sobre as maravilhosas possibilidades do futuro.  De vez em quando, enquanto ele fazia tais sermões, passava lá no alto um bando de gansos selvagens, vindo da Suécia, voando sobre o mar Báltico, em direção à França, formando um perfeito "V". Quando isso acontecia, todos os gansos do quintal olhavam para cima e comentavam entre si, entusiasmados: - Na verdade nós somos assim, como eles. Não fomos feitos  pra viver neste  quintal fedorento. Nosso destino é voar! No entanto, quando os gansos selvagens desapareciam do alcance de suas  vistas, com seus  grasnados ecoando  no horizonte, os...

"O PAPAI NÃO MORREU!"

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A vida nem sempre nos reserva surpresas agradáveis. Foi o que o pequeno Mateus começou a entender no dia em que perdeu o seu pai, enquanto contemplava o corpo dele estendido num caixão. Seus olhos acumulavam espessas lágrimas que teimavam em não cair. Mateus nunca havia experimentado sentimento igual. Era como se algo dentro dele tivesse se partido em mil pedaços. O enterro foi consumado e a vida deveria seguir seu curso, mas em casa faltava alguém e o menino não fazia ideia de como lidar com essa ausência. Como suportaria tanta amargura e saudade? No entanto, com o tempo, a volta às aulas, as brincadeiras com a irmã, os piqueniques e as tardes no parque acabaram trazendo algum alívio ao coração juvenil de Mateus. Um dia, a visita de uma amiga da família trouxe de volta lembranças tristes. A viúva comentava a falta que sentia do companheiro. A saudade a assediava de perto e a vida se tornara difícil.  Mateus, que estava próximo, escutando a conversa, aproximou-se e afir...

O PODER DAS MÃOS

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Certa manhã, um jovem professor chegou à escola um tanto cabisbaixo. Problemas acumulados abalavam sua sensibilidade e estava difícil suportar.  Foi então que, durante uma reunião de trabalho, ele não pôde conter as lágrimas abundantes. Uma colega que, em silêncio, o observava, estendeu as mãos e segurou as dele, num gesto de ternura. Uma atitude bem simples, mas que significou muito para ele, pois sabia que a amiga tinha uma vida super atarefada e cheia de preocupações em casa e no trabalho. Mesmo assim, não hesitou em estender-lhe as mãos. Isso inspirou o professor a escrever o seguinte texto: "As mãos podem muitas coisas: oferecer apoio no momento certo, estender-se para consolar, segurar firme para amparar. Mas, o que mais podem as mãos? As mãos saúdam, as mãos sinalizam. As mãos envolvem, dão carinho. As mãos estabelecem limites. Escrevem. Abençoam. As mãos desenham no ar o 'adeus', o 'até logo'. As mãos agasalham. Curam feridas. Para o mudo, a mão...

ESCRAVO DA RAIVA

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Certa vez, o cavalo e o javali tiveram uma desavença. A briga foi tão feia que o cavalo tentou bolar uma maneira de vencer o javali a qualquer custo. Cego de raiva, procurou o homem e pediu sua ajuda para derrotar o adversário. O homem concordou, salientando: - Para isso, terei que te colocar um cabresto, uma sela e um estribo. Topa? - Está bem, aceito - respondeu o cavalo, sem refletir.  Juntos, homem e cavalo, conseguiram suplantar o javali, que fugiu, ferido e ensanguentado. O cavalo estava eufórico. - Vencemos! Agora tire de mim o cabresto, a sela e o estribo. - De jeito nenhum! - retrucou o homem - Por acaso falei em algum momento que te tiraria isso assim que vencêssemos? E foi assim que o cavalo virou escravo do homem até o fim da sua vida. Muito cuidado: a raiva e a vingança têm o potencial de te fazer escravo de alguma coisa. Fábula de Esopo (620-564 a.C.) - adaptação de Marcos Aguiar.

UM BEIJO DE BOA NOITE

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Quando Kate e Chris ficaram muito idosos e necessitaram de cuidados especiais, foram recolhidos a um asilo onde Jane era enfermeira. Muitas vezes, flagravam o casal admirando seus álbuns de fotografias. Kate mostrava, com orgulho, retratos antigos em que Chris aparecia loiro, alto e alinhado e ela, morena, sorridente e formosa. Era lindo vê-los juntos, ainda enamorados, lembrando alegremente a sua história. Passeavam de mãos dadas pelos corredores do asilo e as enfermeiras comentavam o que seria de qualquer um deles, quando o outro partisse. Chris tinha um carinho especial com a esposa. À hora de dormir, ele a ajudava a passar da cadeira para a cama e ajeitava as cobertas ao redor de seu corpo frágil. Em seguida desligava a luz, se curvava delicadamente e a beijava, acariciando-lhe o rosto. Ambos sorriam. Depois desse ritual amoroso, ele se dirigia para sua cama, no outro extremo do quarto (uma regra do asilo que os desagradava). Quanto apreciariam dormir na mesma cama - um...

INIMIZADE VIRANDO AMIZADE

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Um pica-pau costumava dormir a noite inteira em sua árvore e, assim que amanhecia, se punha a bicar.  Certo dia, uma coruja passou a morar numa árvore do lado. A nova vizinha trabalhava a noite toda e, mal o sol raiava, ia dormir. Daí começou um problema entre os dois porque o pica-pau fazia barulho durante o dia e a coruja à noite. A coruja ficou de tal forma zangada que seus gritos ecoaram por toda a floresta, atraindo a atenção dos outros bichos. - Pode continuar a bicar, pica-pau - guinchou o rato - A coruja tem essa mania de querer mexer com todo mundo! - Acho que o pica-pau é que deveria parar de bicar e deixar a coruja dormir - opinou o urso - a floresta precisa de mais sossego. - O que posso fazer pra parar com esse barulho? - indagou a coruja aos animais mais velhos. - Por que não muda de árvore? - Ora, e por que eu faria isso? Eu gosto é desta árvore! Quem tem que se mudar é o pica-pau! Nenhuma das duas aves queria dar o braço a torcer. A situação foi ficando ...

O MITO DA ALMA GÊMEA

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Os humanos haviam sido criados como seres completos, com duas cabeças, quatro pernas e quatro braços. Isso lhes permitia pensar melhor e realizar suas atividades de forma mais eficiente. Eles, todavia, encheram-se de arrogância, achando-se superiores aos próprios deuses, chegando ao ponto de desafiá-los para uma guerra, a fim de tomar o lugar deles. Ao final da batalha, os deuses haviam vencido e Zeus decidiu castigar os humanos por sua prepotência. Partiu cada um deles ao meio e Apolo foi designado para cicatrizar os cortes. A cicatrização deu origem ao umbigo. Em seguida os humanos, mutilados, foram distanciados de suas metades. Em desespero, passaram a procurar a parte que lhes faltava, sofrendo amargamente sua ausência.  É por isso que, até hoje, mulheres e homens procuram sua "alma gêmea" para, assim, se sentirem completos novamente. Texto de Platão (428-347 a.C.) - adaptação de Marcos Aguiar. 

NEM TUDO É O QUE APARENTA

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Um príncipe foi capturado por desafetos que quiseram tirar-lhe a vida, condenando-o à forca. Mas o rei que mandara capturá-lo resolveu lhe propor um acordo. Se ele conseguisse decifrar um enigma, sua vida seria poupada. Deu-lhe liberdade provisória de três dias, a fim de procurar a resposta. O enigma era: "o que mais deseja uma mulher?" O prazo estava expirando e o pobre príncipe não encontrara a resposta. Desesperado, acabou se deparando com uma mulher conhecida na região por sua feiúra. Era tão feia, desdentada, suja e miserável que a chamavam de bruxa. Ela lhe disse: - Eu tenho a resposta do enigma. Mas te direi se me prometer que se casará comigo, quando te pouparem da morte. O príncipe ficou um pouco contrariado, mas como não queria morrer, prometeu casar com a "bruxa". A resposta que ela lhe deu foi: "o que mais uma mulher deseja é ter soberania sobre a própria vida". Era a resposta certa; conforme prometido, o príncipe foi poupado da pen...

VONTADE DE SERVIR

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Um senhor de oitenta anos acalentava um sonho. Perito no trabalho com madeira, sabia confeccionar brinquedos de toda sorte. Morava numa comunidade onde as drogas penetravam nos lares, subtraindo grande parte dos garotos ingênuos. Inácio anelava poder cuidar daqueles meninos, mostrando-lhes outros caminhos, mais promissores. Poderia, talvez, lhes ofertar a sua arte, ensinando-lhes o ofício de trabalhar a madeira. Faltavam-lhe, no entanto, condições para adquirir obra-prima e ferramentas. Mas, ao confidenciar o sonho a um amigo de longa data, teve sua vontade unida à de seu atento ouvinte. O amigo, depois de alguns dias, estacionou sua caminhonete em frente à casa de Inácio e lhe entregou retalhos variados de madeira em grande quantidade. Trouxe também um monte de ferramentas. Inácio chamou o primeiro garoto, seu vizinho mais próximo. Disse que iria construir brinquedos e lhe perguntou se gostaria de ajudar e aprender com ele. Em pouco tempo, o espaço da casa e do terreno, co...

DURA REALIDADE

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No final de uma tarde fria, recebi a visita inesperada dos meus dois filhos. Um é médico e o outro, engenheiro. Ambos muito bem sucedidos; fiz um bom trabalho na criação deles. Há menos de uma semana, minha mulher havia falecido. Eu estava devastado. O sentido e o rumo da vida foram embora com a minha amada. Sentados à mesa da sala da casa onde agora eu morava sozinho, começamos a conversar. O assunto: meu futuro. Um calafrio me percorreu a espinha. Tentaram me convencer de que o melhor para mim seria ficar numa casa geriátrica. Reagi argumentando que a sombra da solidão e a velhice não me assustavam e que estava muito bem no meu cantinho; mas eles insistiram. Alegaram que gostariam que eu fosse morar com um ou outro. Entretanto lamentaram que as dependências de seus amplos apartamentos à beira-mar estavam todas ocupadas. Além disso, minhas noras e eles trabalhavam de domingo a domingo; portanto, não teriam como me assistir. Meus pequenos e endiabrados netos também não me d...

A PORTA QUE NUNCA FECHOU

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Foi em Glasgow, Escócia, que isto aconteceu. Uma adolescente problemática vivia revoltada com os limites colocados pelos pais. Queria liberdade plena. Então um dia ela disse: - Estou cansada de tudo isto. Vou embora. E foi. No mundo lá fora, ela logo descobriu que não era tão fácil se virar sozinha. Frágil e incapaz de conseguir trabalho, acabou recorrendo à prostituição para sobreviver. Os anos passaram. O pai daquela jovem morreu e a mãe perdeu o contato com a filha, pois, desde que partira, esta nunca havia mandado cartas ou telefonado. Certo dia, aquela senhora soube do paradeiro da filha. Foi até o prostíbulo na ânsia de resgatá-la, mas não a encontrou. Então teve a ideia de percorrer todas as igrejas e outros locais públicos e deixar uma foto sua em cada um deles. Na foto ela estava grisalha, mas sorridente; e, no rodapé, uma mensagem: "Eu ainda amo você. Volte para casa." Passaram-se meses sem nenhuma novidade. Então, um dia, a nossa rebelde foi a um centro...

AFEIÇÃO QUE CEGA

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Depois de muito tempo brigando, a coruja e a águia resolveram fazer as pazes. - Basta de guerra! - disse a coruja - O mundo é tão grande e tolice maior que o mundo é viver brigando. - Perfeitamente! - respondeu a águia - Eu também cansei de inimizades.  - Nesse caso combinemos assim: como sinal de paz, você nunca comerá os meus filhotes. - De acordo, coruja. Mas como poderei distinguir os teus filhos? - Muito fácil: sempre que você encontrar uns rechonchudos, fofinhos e bonitinhos, saberá que são as minhas crias. - Certo, entendi. Uns dias depois, à procura de caça, a águia encontrou um ninho com três pequenos monstrengos, que piavam com som estridente e desagradável.  "Que coisinhas horríveis!", pensou a águia. "Com certeza não são os filhotes da coruja, pelo que ela descreveu." A águia então lançou-se sobre os filhotes e os devorou. Só que eram os filhos da coruja.  Quando esta regressou ao ninho, chorou amargamente ao se deparar com a águia terminando...

OSSOS QUEBRADOS

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Um homem saiu para o quintal a fim de admirar seu novíssimo caminhão, mas teve um choque ao encontrar seu filho de três anos martelando euforicamente a lataria brilhante do veículo.  O homem correu até à criança, tomou-lhe a ferramenta com violência e, descontroladamente, lhe martelou as mãos. Passado o breve momento de ira, o pai levou a criança ao hospital. Embora o doutor tentasse habilmente poupar os ossos esmagados, ao final precisou amputar os dedinhos do garoto. Este, ao acordar da cirurgia e vendo suas mãos enfaixadas, disse inocentemente: - Papai, eu sinto muito por seu caminhão. Mas quando meus dedos voltarão a crescer? Não há palavras para descrever o que se passou na cabeça desse pai. Ele foi para casa e cometeu suicídio. Da próxima vez que você vir alguém derramar o leite sobre a mesa ou quando ouvir o bebê chorando insistentemente, pense primeiro antes de perder a paciência com a pessoa que te ama. Bens podem ser recuperados, substituídos ou consertados, m...