Postagens

"O PAPAI NÃO MORREU!"

Imagem
A vida nem sempre nos reserva surpresas agradáveis. Foi o que o pequeno Mateus começou a entender no dia em que perdeu o seu pai, enquanto contemplava o corpo dele estendido num caixão. Seus olhos acumulavam espessas lágrimas que teimavam em não cair. Mateus nunca havia experimentado sentimento igual. Era como se algo dentro dele tivesse se partido em mil pedaços. O enterro foi consumado e a vida deveria seguir seu curso, mas em casa faltava alguém e o menino não fazia ideia de como lidar com essa ausência. Como suportaria tanta amargura e saudade? No entanto, com o tempo, a volta às aulas, as brincadeiras com a irmã, os piqueniques e as tardes no parque acabaram trazendo algum alívio ao coração juvenil de Mateus. Um dia, a visita de uma amiga da família trouxe de volta lembranças tristes. A viúva comentava a falta que sentia do companheiro. A saudade a assediava de perto e a vida se tornara difícil.  Mateus, que estava próximo, escutando a conversa, aproximou-se e afir...

O PODER DAS MÃOS

Imagem
Certa manhã, um jovem professor chegou à escola um tanto cabisbaixo. Problemas acumulados abalavam sua sensibilidade e estava difícil suportar.  Foi então que, durante uma reunião de trabalho, ele não pôde conter as lágrimas abundantes. Uma colega que, em silêncio, o observava, estendeu as mãos e segurou as dele, num gesto de ternura. Uma atitude bem simples, mas que significou muito para ele, pois sabia que a amiga tinha uma vida super atarefada e cheia de preocupações em casa e no trabalho. Mesmo assim, não hesitou em estender-lhe as mãos. Isso inspirou o professor a escrever o seguinte texto: "As mãos podem muitas coisas: oferecer apoio no momento certo, estender-se para consolar, segurar firme para amparar. Mas, o que mais podem as mãos? As mãos saúdam, as mãos sinalizam. As mãos envolvem, dão carinho. As mãos estabelecem limites. Escrevem. Abençoam. As mãos desenham no ar o 'adeus', o 'até logo'. As mãos agasalham. Curam feridas. Para o mudo, a mão...

ESCRAVO DA RAIVA

Imagem
Certa vez, o cavalo e o javali tiveram uma desavença. A briga foi tão feia que o cavalo tentou bolar uma maneira de vencer o javali a qualquer custo. Cego de raiva, procurou o homem e pediu sua ajuda para derrotar o adversário. O homem concordou, salientando: - Para isso, terei que te colocar um cabresto, uma sela e um estribo. Topa? - Está bem, aceito - respondeu o cavalo, sem refletir.  Juntos, homem e cavalo, conseguiram suplantar o javali, que fugiu, ferido e ensanguentado. O cavalo estava eufórico. - Vencemos! Agora tire de mim o cabresto, a sela e o estribo. - De jeito nenhum! - retrucou o homem - Por acaso falei em algum momento que te tiraria isso assim que vencêssemos? E foi assim que o cavalo virou escravo do homem até o fim da sua vida. Muito cuidado: a raiva e a vingança têm o potencial de te fazer escravo de alguma coisa. Fábula de Esopo (620-564 a.C.) - adaptação de Marcos Aguiar.

UM BEIJO DE BOA NOITE

Imagem
Quando Kate e Chris ficaram muito idosos e necessitaram de cuidados especiais, foram recolhidos a um asilo onde Jane era enfermeira. Muitas vezes, flagravam o casal admirando seus álbuns de fotografias. Kate mostrava, com orgulho, retratos antigos em que Chris aparecia loiro, alto e alinhado e ela, morena, sorridente e formosa. Era lindo vê-los juntos, ainda enamorados, lembrando alegremente a sua história. Passeavam de mãos dadas pelos corredores do asilo e as enfermeiras comentavam o que seria de qualquer um deles, quando o outro partisse. Chris tinha um carinho especial com a esposa. À hora de dormir, ele a ajudava a passar da cadeira para a cama e ajeitava as cobertas ao redor de seu corpo frágil. Em seguida desligava a luz, se curvava delicadamente e a beijava, acariciando-lhe o rosto. Ambos sorriam. Depois desse ritual amoroso, ele se dirigia para sua cama, no outro extremo do quarto (uma regra do asilo que os desagradava). Quanto apreciariam dormir na mesma cama - um...

INIMIZADE VIRANDO AMIZADE

Imagem
Um pica-pau costumava dormir a noite inteira em sua árvore e, assim que amanhecia, se punha a bicar.  Certo dia, uma coruja passou a morar numa árvore do lado. A nova vizinha trabalhava a noite toda e, mal o sol raiava, ia dormir. Daí começou um problema entre os dois porque o pica-pau fazia barulho durante o dia e a coruja à noite. A coruja ficou de tal forma zangada que seus gritos ecoaram por toda a floresta, atraindo a atenção dos outros bichos. - Pode continuar a bicar, pica-pau - guinchou o rato - A coruja tem essa mania de querer mexer com todo mundo! - Acho que o pica-pau é que deveria parar de bicar e deixar a coruja dormir - opinou o urso - a floresta precisa de mais sossego. - O que posso fazer pra parar com esse barulho? - indagou a coruja aos animais mais velhos. - Por que não muda de árvore? - Ora, e por que eu faria isso? Eu gosto é desta árvore! Quem tem que se mudar é o pica-pau! Nenhuma das duas aves queria dar o braço a torcer. A situação foi ficando ...

O MITO DA ALMA GÊMEA

Imagem
Os humanos haviam sido criados como seres completos, com duas cabeças, quatro pernas e quatro braços. Isso lhes permitia pensar melhor e realizar suas atividades de forma mais eficiente. Eles, todavia, encheram-se de arrogância, achando-se superiores aos próprios deuses, chegando ao ponto de desafiá-los para uma guerra, a fim de tomar o lugar deles. Ao final da batalha, os deuses haviam vencido e Zeus decidiu castigar os humanos por sua prepotência. Partiu cada um deles ao meio e Apolo foi designado para cicatrizar os cortes. A cicatrização deu origem ao umbigo. Em seguida os humanos, mutilados, foram distanciados de suas metades. Em desespero, passaram a procurar a parte que lhes faltava, sofrendo amargamente sua ausência.  É por isso que, até hoje, mulheres e homens procuram sua "alma gêmea" para, assim, se sentirem completos novamente. Texto de Platão (428-347 a.C.) - adaptação de Marcos Aguiar. 

NEM TUDO É O QUE APARENTA

Imagem
Um príncipe foi capturado por desafetos que quiseram tirar-lhe a vida, condenando-o à forca. Mas o rei que mandara capturá-lo resolveu lhe propor um acordo. Se ele conseguisse decifrar um enigma, sua vida seria poupada. Deu-lhe liberdade provisória de três dias, a fim de procurar a resposta. O enigma era: "o que mais deseja uma mulher?" O prazo estava expirando e o pobre príncipe não encontrara a resposta. Desesperado, acabou se deparando com uma mulher conhecida na região por sua feiúra. Era tão feia, desdentada, suja e miserável que a chamavam de bruxa. Ela lhe disse: - Eu tenho a resposta do enigma. Mas te direi se me prometer que se casará comigo, quando te pouparem da morte. O príncipe ficou um pouco contrariado, mas como não queria morrer, prometeu casar com a "bruxa". A resposta que ela lhe deu foi: "o que mais uma mulher deseja é ter soberania sobre a própria vida". Era a resposta certa; conforme prometido, o príncipe foi poupado da pen...